O que é tecnologia?

Quando estávamos produzindo nosso e-book, tivemos a seguinte discussão: “Educação e Tecnologia” ou “Educação e Tecnologias” ? Enfim, concordamos com o singular (dos bastidores, explico a “motivação”: estávamos sem muito tempo para aprofundar a discussão naquele momento…)

Foi uma decisão democrática, mas minha preferência era, de fato, pela forma singular do termo, em parte porque estava considerando a questão que, agora, vira título de post, e que constitui, para mim, um outro debate importante (além de bem interessante). Em particular, naquele momento estava meditando sobre o texto “The Language of Cybersouls”, de John Monk, que está disponível aqui. O texto explora, por meio da articulação de várias temáticas e exemplos de artefatos concretos, o mito de Prometeu (Prometheus), em uma discussão que se apropria da noção de language-game de Wittgenstein. Ofereço, abaixo, uma tradução (apressada) da conclusão, enquanto espero o “sinal verde” do autor para terminar e divulgar uma tradução do texto completo em português.

A tecnologia representa um conjunto de instituições sobrepostas embarcando em missões políticas. Dentro de cada iniciativa espera-se ver acordos que estabelecem padrões de julgamento e alocação de papéis. A iniciativa terá, ao menos, a aparência de um objetivo externo, e grande parte da atividade consistirá de deliberação sobre como se atingir fins antecipados. A deliberação será apresentada como racional e será formalizada até certo grau, ainda que aqueles externos à iniciativa venham a questionar sua racionalidade, em parte porque as instituições e iniciativas irão negligenciar critérios, práticas consagradas e objetos valorizados por outros grupos.

De forma característica, essas iniciativas tecnológicas não restringem seus dispositivos políticos a palavras, mas, sim, adicionam bens materiais a seu vocabulário.

Para um indivíduo, tecnologia é uma fé em um amálgama de habilidades e artefatos que coalescem dentro de um conjunto de jogos da tecnologia. Esse espetáculo da tecnologia promove práticas tribais, orquestra comportamentos idiosincráticos e sustenta instituições.

Os jogos da tecnologia que jogamos emprestam sentido a quem somos, às contingências que enfrentamos e como respondemos a elas. Jogos da tecnologia, portanto, constituem a comunidade.

Em meio a isso, artefatos não são meios que adquirem sua forma de acordo com as necessidades humanas, mas, sim, participantes ativos nos jogos que estão gerando e destruindo esperanças.

A tecnologia não é um meio.

Como a lenda de Prometeu ilustra, a tecnologia é integral a ser humano.

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