Classificação de periódicos (por Tarso Mazzotti)

Classificação de Periódicos

Por Tarso Mazzotti

O Qualis-Capes periódicos, revisto a cada três anos, põe no topo os internacionais (A1 e A2), segundo um conjunto de critérios que vão desde da diagramação até o número de autores não brasileiros. Quanto mais estrangeiros, maior a penetração fora do país. Verifique a lista dos periódicos para obter informações a respeito. Publicar em um periódico A1 é mais interessante do que em um B1, nacional com a classificação mais alta no item.

Por que a internacionalização é considerada superior? Por mostrar que o periódico tem uma audiência ampla,logo, é reconhecido por muitos. Essa medida é a mesma utilizada para identificar os oradores mais influentes: são os auditórios/públicos que dizem quais são as autoridades, quais os influentes. Pode-se saber muito acerca dos auditórios pelo exame do que dizem os oradores que eles  autorizam.

Para ser influente fora do país é preciso adequar-se aos múltiplos auditórios externos, logo seguir a suas agendas. Certamente em ciências da natureza é relativamente mais simples do que nas ciências do homem, pois as suas agendas são menos determinadas pelas contingências locais. Mesmo assim, há setores que mais facilmente podem aderir a agenda dos auditórios externos do que outras, para obter informações a respeito é suficiente ler o que muitos cientistas naturais dizem a respeito da exigência de internacionalização, geralmente quando discutem o Qualis-Capes.

O que se tem feito para atender a internacionalização de periódicos brasileiros da área de ciências dos homem? Além de solicitar artigos de pesquisadores estrangeiros, seja qual for a nacionalidade, tende-se a publicar artigos em inglês, a língua franca, de autores brasileiros.

Há outra métrica envolvida: a influência de um periódico é determinada pelo número de citações: mais artigos citados, maior a influência. No Google Acadêmico, para citar um de fácil acesso, pode-se verificar essa métrica, “fator de impacto”. para diversos periódicos.

No Google Acadêmico o fator de impacto utilizado é o h5, definido da seguinte maneira: índice de artigos publicados nos últimos cinco anos (daí o cinco no nome) que tenha sido citados h vezes cada, em que h é arbitrado por quem calcula.  Alguns exemplos, o periódico Nature apresentava h5 = 339 (mediana 507); os Cadernos de Saúde Pública: 40 (mediana 54); Educação & Sociedade: 22 (37); Interface comunicação, saúde e educação: 18 (25); Cadernos de Pesquisa (da Fundação Carlos Chagas e dedicada à Educação): 14 (27).

Os mais influentes são os das áreas médicas, e biológicas. Por quê? Pelo fato de os pesquisadores lerem mais artigos, geralmente curtos, para si manterem atualizados. Outras áreas, como a educação, não têm essa urgência e, ao que parece, nelas se prefere livros a artigos. Isto também pode ser verificado a partir das métricas. Usarei um exemplo pessoal, para não entrar na vida dos outros, duas das minhas publicações mais citadas são o capítulo “Estatuto de cientificidade da pedagogia” (41) e o livro em coautoria “Ciênci(s) da Educação” (51), o artigo mais citado é “Representação social de problema ambiental: uma contribuição para a educação ambiental” (34). O característico é o tempo de publicação: o livro foi publicado em 2000, o capítulo e o artigo em 1997. Uma cauda longa. Caso se possa considerar estas informações como indicadoras do característico da área, então o período de mensuração usual, cinco anos, não refletiria a influência de um pesquisador. Pode-se ter o I10 (índice 10), análogo ao h5, mas com prazo maior: 10 anos. Neste caso, considerando todos as minhas publicações (321) o I10 é o mesmo de h5: 9; considerando as publicadas após 2008, aqueles índices são, respectivamente, 9 e 3.

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