Visita de pesquisa à Open University do Reino Unido

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(O pessoal na foto: da esquerda para a direita: Rob Farrow, Alannah Fitzgerald, Bea de los Arcos, Beck Pitt, eu – bem feliz no frio que lá estava fazendo! – e Claire Walker.)

Acabo de retornar de duas semanas intensivas de pesquisa na Open University do Reino Unido, onde trabalhei, especificamente, como Research Fellow no projeto Open Educational Resources Research Hub – OERRH. Trata-se de um projeto financiado pela Fundação William e Flora Hewlett e conduzido no Institute of Educational Technologies – IET – sob a liderança de Patrick McAndrew, Diretor do Instituto, e Martin Weller, colegas meus em projetos anteriores nos quais participei quando trabalhava na instituição.

O OERRH está coletando, mapeando e analisando dados relativos ao impacto de REA, o que está sendo feito através de um número de colaborações com outros projetos e um grupo de pesquisadores em outras instituições (Fellows), do qual faço parte. Os dados estão sendo coletados e investigados segundo um conjunto de hipóteses correntes na área (veja o original em inglês aqui):

  1. O uso de REA fomenta uma melhoria na satisfação e performance dos estudantes;
  2. A abertura de REA cria padrões de uso e adoção distintos daqueles relativos a outros recursos disponíveis online;
  3. Modelos de Educação Aberta geram acesso mais justo à Educação, servindo uma base mais ampla de aprendizes do que a Educação tradicional;
  4. O uso de REA fomenta a reflexão crítica por parte de educadores, com evidência de melhoria de suas práticas
  5. O uso de REA é uma forma efetiva de melhorar a retenção de estudantes considerados em risco;
  6. A adoção de REA em nível institucional implica em benefícios financeiros para os estudantes e/ou as instituições;
  7. Aprendizes informais utilizam uma variedade de indicadores para selecionar REA;
  8. Aprendizes informais adotam uma variedade de técnicas para compensar a falta de apoio formal em cursos abertos;
  9. A Educação Aberta atua como ponte para a Educação Formal, sendo complementar, e não competitiva, a essa;
  10. A participação em projetos e programas piloto REA leva a mudanças de políticas em nível institucional;
  11. Métodos informais de avaliação são motivações para a aprendizagem com REA.

Acho que a equipe identificou pontos centrais que normalmente passam por ideias que se assume sem problemas, afirmações sem fundamentação empírica, em muitos dos discursos sobre REA. Isso, para mim, torna o projeto bastante interessante, com resultados potencialmente essenciais à área. De fato, algumas dessas hipóteses se aplicam também a MOOCs (e alguns dos membros da equipe do OERRH têm interesses nessa área também).

Num tom bem pessoal, tenho que confessar que não foi sem apreensão que me dirigi ao campus da Open no primeiro dia da minha visita. Já se haviam passado dois anos e meio que eu me mudara para o Rio, de modo que, naturalmente, me perguntava sobre possíveis mudanças por lá e pela cidade de Milton Keynes. Afinal, tudo me pareceu como era antes, e o pessoal que me recepcionou não precisou gastar muito tempo me dando os detalhes típicos de “acolhimento” a novatos e visitantes🙂.

Fiz uma pequena apresentação do trabalho que estou desenvolvendo (com a Profa. Laélia Moreira), que inclui a criação, no ano passado, do Ateliê de Pesquisa, parte de um projeto de Pesquisa-Ação que envolve também a Profa. Estrella Bohadana e nossos alunos. 

Meu plano original era levar comigo um corpo de dados bem consistente (obtidos com questionários e entrevistas), mas a acumulação de tarefas no segundo semestre implicou na perda da “janela de oportunidade” que precede a correria de final de semestre, e, portanto, gerou um atraso na coleta. Ao invés desse corpo de dados, levei comigo um conjunto de perguntas, pensamentos soltos baseados em dados de observação e em uma revisão de literatura (a lista da literatura em português está compartilhada aqui) e a apresentação que já mencionei.

A parte mais valiosa da visita foi, definitivamente, a oportunidade de conversar em grupo e separadamente com os pesquisadores da equipe (e a Alannah, Fellow, como eu). Assim foi possível não somente trocar informações sobre nossos respectivos interesses e projetos, mas, também, identificar sinergias e possibilidades para futuras colaborações.

Foi uma visita bastante intensiva (e intensa), mas, mesmo assim, consegui também rever colegas de trabalho de outras áreas da universidade e velhos amigos, incluindo a Ale Okada. Participei de uma reunião de seu grupo de pesquisa, quando ela me entregou uma cópia impressa do livro Recursos Educacionais Abertos e Redes Sociais, e tivemos duas longas conversas sobre REA, Tecnologia Educacional e pesquisa nessas áreas.

Agora, mãos à obra para organizar o material preliminar que combinei de compartilhar com a equipe do OERRH! Em breve atualizarei também nossa página relativa a projetos, e, à medida em que as coisas forem progredindo, irei publicando detalhes por aqui.

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