Teses de doutorado defendidas na TICPE

Tivemos duas defesas de teses de doutorado na TICPE no final de 2013, e, mesmo um pouquinho atrasada, gostaria de divulgar aqui os detalhes.

A primeira defesa foi de Fátima Ivone de Oliveira Ferreira, com trabalho intitulado Juventude e redes sociais online: culturas mediadoras no contexto da escola básica. Participei da banca, que reuniu as Profas. Lúcia Vilarinho (orientadora) e Rita de Cássia Pereira Lima (Linha RSPE, PPGE/UNESA), o Prof. Paulo Carrano, da UFF, e a Profa. Gilda Olinto de Oliveira, da UFRJ. A tese de Fátima:

(…) discute o uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e das redes sociais online por estudantes do ensino médio de uma tradicional escola pública do Rio de Janeiro – o Colégio Pedro II. A pesquisa, em interface com a Antropologia, a Educação e a Comunicação, investigou as relações que são construídas por 104 jovens nas redes sociais online, buscando compreender como a centralidade dos relacionamentos digitais e as vivências juvenis no ciberespaço alteram sua socialidade e leitura de mundo, aí se incluindo a cultura escolar. Em sua dimensão empírica de base qualitativa, a pesquisa analisou dados a partir de notas etnográficas do cotidiano escolar, entrevistas, questionários, netnografias no Facebook e no blog criado para estimular a reflexividade dos estudantes acerca da cibercultura. Em interatividade com os usuários e em contextos híbridos online/off-line, foi possível reconhecer: o percurso dos jovens estudantes na direção de uma aprendizagem mais cooperativa e autônoma; suas percepções sobre particularidades de gênero nas interações juvenis; as nuances de seus relacionamentos afetivos; e a potencialidade das redes sociais online em termos da participação cidadã. Observou-se a construção de um caleidoscópio que envolve pensamento crítico, posturas características de uma visão cidadã de mundo (campanhas sociais e político-partidárias), e informações sobre a crescente rede de amigos, marcadas pela fragmentação, futilidade e necessidade de se tornar visível. Os resultados indicam que a ambiguidade do imaginário da cibercultura está presente na reflexão desses jovens, levando-os a oscilar entre a sedução / deslumbramento em relação às TIC e o medo do vício, da distração e da incredibilidade das fontes de consulta. A vivência do jovem no ciberespaço conflita com a organização curricular fragmentada em disciplinas; eles, no entanto, reafirmam a relevância da escola. A ideia de tribo entre esses jovens estudantes significa convivência e compartilhamento de emoções em ritmo acelerado. A pesquisa investigou o uso das redes sociais online para além do simples acesso, ou seja, como conjunto de práticas específicas, valores, conceitos, crenças e sistemas de poder dos sujeitos e de seus grupos. Os praticantes estão vivenciando culturas mediadoras que se expressam na escola e que além de provocarem a opacidade do professor, passam a demandar aulas imbricadas às potencialidades oferecidas pelas tecnologias digitais. Concluiu-se que o papel do professor em tempos de cibercultura exige imersão e consciência do lugar das redes sociais online na vida dos estudantes para perceber as possibilidades de intervenção pedagógica e encontrar brechas de apropriação crítica e criativa.

O outro trabalho, Mediação Docente: Formação Continuada de Professores no Âmbito da Educação a Distância, foi produzido por Maria Esther Provenzano, orientanda do Prof. Márcio Lemgruber. Na banca estavam, além de seu orientador, as Profas. Lúcia Vilarinho e Estrella Bohadana, da TICPE, Profa. Lucila Pesce, da UNIFESP, e a Profa. Adriana Bruno, da UFJF. Veja abaixo o resumo.

Investigar como ocorre a mediação de professores, em um curso de Educação a Distância (EaD) semipresencial, capaz de operar de modo dialógico, comunicativo, argumentativo, complexo e por meio de diferentes linguagens, é a intenção desta tese. Trata-se de um curso de formação continuada de professores em nível de pós-graduação lato sensu em Educação Tecnológica, desenvolvido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro/CEFET/RJ em parceria com a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro/ CEDERJ. Este curso encontra-se vinculado à Universidade Aberta do Brasil (UAB), uma política pública de governo, coordenada pelo Ministério da Educação e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/MEC/CAPES. Esta pesquisa se insere no âmbito das mudanças que se processam em torno da educação a distância, que compartilha momentos presenciais e virtuais, como encontros presenciais combinados com o ambiente de aprendizagem Moodle (acrônimo de Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment). Tem como objetivo geral investigar a construção da mediação docente desenvolvida na EaD semipresencial, a partir de três atores presentes na complexidade do curso: o professor-pesquisador, o professor-tutor e o professor-cursista. Para tanto, buscamos identificar os desafios que a EaD, desenvolvida com momentos presenciais e online, trouxe para esses atores do curso; perceber como a mediação docente foi desenvolvida nas interfaces interativas do Moodle, dificuldades e facilidades retratadas pelos atores do curso. O referencial teórico toma como base quatro eixos articulados entre si: pensamento epistemológico setorial, histórico e complexo de Gaston Bachelard e Edgar Morin; razão argumentativa e razão comunicativa de Chaïm Perelman e Jürgen Habermas; diálogo e saberes profissionais da docência com base em Paulo Freire e Maurice Tardif; e o campo das ações pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem, trazendo concepções da cibercultura, linguagem e interatividade dos autores Pierre Lévy, Lucia Santaella e Marco Silva. A metodologia de pesquisa foi o estudo de caso, utilizando como procedimentos para a coleta de informações o questionário semiestruturado, entrevistas, observação participante e a análise de documentos. As informações foram tratadas por meio da análise de conteúdo. A metodologia se apoiou na perspectiva qualitativa e quantitativa. Seus resultados indicaram que a mediação docente pode ser compartilhada entre os atores do curso, mas a autoria deve ser, inicialmente, do professor-pesquisador especialista do conteúdo. Para tanto, o material didático deve ter espaços oxigenados de modo que permita complementações e ressignificações de sentido evitando a polidocência fragmentada. Finalmente concluímos que, no curso pesquisado, o professor-tutor exerce de forma mais direta a mediação docente. O tutor que exerce as funções de mediação pedagógica, presencial ou a distância, deve ser considerado um professor. Daí a importância de se reconhecer sua identidade docente.

Os trabalhos serão disponibilizados em breve, em sua íntegra, nesta página do site do PPGE.

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