Bibliotecários e letramento informacional

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Giselle e Regina.

Em tempos de “Google” e fechamento de bibliotecas públicas, a recém-doutora Regina Oliveira de Almeida apresenta uma tese para problematizar a formação do bibliotecário, profissional que historicamente atua na “formação dos alunos através da mediação […] não apenas com as fontes de consulta para o acesso à informação, mas também para a aquisição de habilidades informacionais”.

A pesquisa, orientada pela professora do Programa Giselle Ferreira, revela que existem “45 instituições de formação de bibliotecários no país, mas:

  • São oferecidas [somente] 6 disciplinas de Letramento Informacional, das quais, uma é eletiva.
  • Apenas uma instituição oferece a disciplina Didática em Biblioteconomia.
  • Há um único curso de licenciatura na área
  • Em 2014 foi oferecido, pela 1ª vez, um curso de especialização para o letramento informacional (não houve chamada para 2015)”.

Não existe consenso para a denominação letramento informacional. E Regina opta por uma “definição que conjuga e dialoga com essas variações para a apropriação reticular dos saberes informacionais em redes”:

o aprendizado necessário para a aquisição de habilidades informacionais e midiáticas para lidar com a quantidade de informação disponível em todas as áreas do conhecimento, incluindo questões políticas e sociais. Abrange o ensino sobre a utilização dos recursos e serviços encontrados em bibliotecas, mas não se restringe a esses locais, pois as pessoas buscam as informações nos mais diversos canais e fontes, ao longo de suas vidas.

Sua pesquisa “analisou as formas nas quais o letramento informacional está sendo concebido e integrado na formação dos bibliotecários.”

Clique aqui para ver os slides da apresentação da defesa de tese, realizada em 26 de novembro de 2015, de onde retirei o mapa a seguir:

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A tese “Bibliotecários universitários: da guarda de livros ao letramento informacional” será disponibilizada em breve. Mas adiantamos seu resumo:

A presença das TIC na Educação atinge diferentes espaços de letramentos, em particular, a biblioteca. Os bibliotecários sempre contribuíram regularmente com a formação dos alunos através da mediação, no processo de escolarização, não apenas com as fontes de consulta para o acesso à informação, mas também para a aquisição de habilidades informacionais em um processo cada vez mais intensificado com o excesso de informação. Esse processo, conhecido como letramento ou competência informacional, tem sido compreendido como o aprendizado necessário para lidar com a quantidade de informação disponível em todas as áreas do conhecimento, com raízes nas práticas de treinamento e educação de usuários. Estas práticas embasam, também, as reflexões na área da Biblioteconomia sobre o perfil educador do bibliotecário. No entanto, as atuais exigências acadêmicas tornam evidentes as limitações que os bibliotecários têm em sua formação referente à própria aquisição do letramento informacional e à função educativa que os aguarda nas bibliotecas. Nesse contexto, o objetivo geral desta tese foi analisar as formas nas quais o letramento informacional está sendo concebido e integrado à formação dos bibliotecários, analisando as concepções sobre o perfil educativo do bibliotecário, as concepções e práticas de bibliotecários relativas ao letramento informacional e as contribuições das comunidades on-line de bibliotecários para a aprendizagem permanente do bibliotecário no seu próprio letramento informacional. O referencial teórico adotado foi construído em torno de três eixos: o letramento informacional, a mediação e a competência. Realizou-se um levantamento dos currículos dos cursos de Graduação em Biblioteconomia, e a coleta de mensagens selecionadas de uma amostra de grupos de bibliotecários sobre esta temática em diferentes redes sociais (blogs, lista Bib@migos, Facebook e um grupo fechado on-line de bibliotecários), bem como a coleta de dados qualitativos por meio de um questionário distribuído a uma amostra de professores de Biblioteconomia e bibliotecários de universidades. Foi conduzida uma análise de conteúdo temática dos programas e disciplinas, das postagens feitas nas redes e das respostas dos docentes e bibliotecários. Entre os achados, destacam-se: a existência de um reduzido número de disciplinas voltadas para o letramento informacional; a constatação da quase completa ausência de formação didática para o bibliotecário atuar como educador; a identificação de tensões e lacunas evidenciadas pelas diferentes concepções de letramento informacional; a observação de que os espaços on-line de redes de bibliotecários ainda parecem estar se desenvolvendo quanto à aprendizagem continuada; e a pequena quantidade de trabalhos sobre relatos de práticas e experiências nacionais. Algumas recomendações foram propostas em torno dos seguintes eixos: a necessidade de formação didática complementar para os bibliotecários a fim de se desenvolverem como agentes educadores; a premência de se desenvolver o conceito de letramento informacional no ensino da Biblioteconomia; e a importância de se propor parcerias com os docentes para o letramento informacional, a fim de implementar uma mediação mais significativa na biblioteca universitária.

A banca de defesa foi composta pelos professores Marcio Lemgruber e Laelia Moreira  (do nosso PPGE), Lúcia Vilarinho (Cesgranrio) e Nilton Bahlis (Fiocruz).

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Da esquerda para a direita: Márcio, Laelia, Regina, Giselle e Lúcia.

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