Cibercultura

Teses defendidas na TICPE

Entre 2014 e 2015, tivemos as defesas de duas instigantes teses na linha, então aproveitando que ontem retomei o Diálogos, compartilho os detalhes.

Em final de julho deste ano, defendeu sua tese Ambientes Pessoais de Aprendizagem em Escola de Ensino Médio meu doutorando Rafael Castiglione. A pesquisa do Rafael

teve como objetivo geral investigar o uso das TIC, complementar ao ensino médio presencial, com o propósito de estimular o desenvolvimento da autonomia dos alunos, tendo como base a concepção dos Ambientes Pessoais de Aprendizagem (APA). Deste objetivo geral foram elaborados os objetivos específicos: (a) Identificar as práticas educacionais emergentes que se utilizam de APA na educação formal; (b) Analisar os usos de ferramentas da Web pelos alunos participantes da pesquisa, identificando suas preferências, propósitos e contextos de utilização; (c) Analisar as possibilidades e desafios associados à integração da ideia de APA na educação formal. Tais objetivos foram investigados em um trabalho de Pesquisa-ação, sendo a coleta de dados realizada a partir de entrevistas, aplicação de questionários e observação de campo. O processo de análise dos dados foi quantitativo e qualitativo, sendo neste último utilizado como método a análise de conteúdo. Para dar sustentação à discussão, foram incorporadas considerações pedagógicas, tendo por base contribuições teóricas da aprendizagem, da autonomia, e das TIC, em particular, os Ambientes Pessoais de Aprendizagem. O estudo foi realizado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, no curso técnico de informática integrado ao ensino médio, nas disciplinas “Programação para Web” e “Modelagem de dados”, com a participação de 108 alunos dos três anos escolares, organizados em quatro grupos. Os principais achados foram: (a) confirmação da presença da escola e do professor como importantes atores no processo de aprendizagem; (b) o domínio e a facilidade de migração de ferramentas ligadas à interação social e recepção de informação por parte dos alunos; (c) a possibilidade de construção de uma sala de aula mais autônoma e integrada aos espaços não formais de ensino; e (d) a dificuldade dos alunos em expor e discutir seus pontos de vista, refletida na baixa produção colaborativa e compartilhamento de informações. A experiência sugere a necessidade de investigações futuras acerca do melhor momento da trajetória escolar para a incorporação de processos de construção coletiva do conhecimento apoiadas pelas TIC como uma rede de conexões.

As palavras-chave do trabalho são: Ambientes Pessoais de Aprendizagem; Ensino Médio Integrado; Aprendizagem centrada no aluno; Autonomia

No final de 2014, Mirian Maia do Amaral, orientanda do Prof. Márcio Lemgruber, defendeu seu trabalho intitulado Autorias docente e discente: pilares de sustentabilidade na produção textual e imagética em redes educativas presenciais e on-line. Eis o resumo:

Na contemporaneidade, com a emersão de uma diversidade de modelos autorais e novas formas de colaboração e criação, uma questão desafia os pesquisadores: como autorias coletivas e, ao mesmo tempo singularizantes, podem ser produzidas sob as formas textuais e imagéticas e materializadas em redes educativas, presencial e online? Para responder a essa questão, objetivamos, nessa Tese, identificar e formular indicadores que potencializam e promovem o surgimento de autorias docente e discente, na tessitura do conhecimento, em rede. Amparados pelo paradigma da complexidade, trabalhamos, no âmbito da disciplina eletiva Cotidianos e Currículos: uma prática social em formação, integrante do curso de Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na perspectiva da pesquisa-formação multirreferencial, e com a ideia de pesquisador implicado com seu campo de pesquisa. Durante três semestres, atuamos em quatro turmas, junto a estudantes provenientes de diferentes tipos de licenciaturas. Dialogamos, também, com os pressupostos das pesquisas nos/dos/com os cotidianos, apoiados no uso intensivo de dispositivos materiais e intelectuais, como diário de itinerâncias, textos científicos, ambientes virtuais de aprendizagem e suas interfaces, oficinas de histórias em quadrinhos e vídeos, entre outros. A partir de atos de currículo, instituímos estratégias pedagógicas que nos levaram a ―pistas‖ de autorias, que apontaram para dimensões integrativas, formativas e tecnológicas, possibilitando-nos identificar um conjunto de indicadores a elas relacionados. Esses indicadores, caracterizados pelas ações engendradas ao longo do processo de aprendizagem, atuaram como ―disparadores‖, potencializando o surgimento dessas autorias, sob diferentes formas: na reprodução textual; no planejamento da sintaxe produtiva; na transposição de gêneros do discurso; no uso da oralidade nos meios virtuais; em processos interativos; na cultura remix; e nos recursos argumentativos e linguísticos. A conclusão a que chegamos é a de que, em tempos de cibercultura, a noção de autoria se torna cada vez mais coletiva e pulverizada. Somos todos autores, em potencial, na medida em que ancoramos nossos dizeres, em nossas memórias e nos dizeres alheios, assumindo uma posição responsiva e responsável pelo que expressamos. Nessa perspectiva, o uso de indicadores privilegia processos colaborativos, interativos e dialógicos potencializando o surgimento de autorias em diferentes níveis.

As palavras-chave do trabalho da Mirian são:Cibercultura; Redes educativas; Formação de professores; Autorias.

Há mais defesas de teses previstas para o final de 2015 – compartilharei os detalhes aqui oportunamente!

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Abertura de processo de seleção de docente para a TICPE

Está aberto o processo de seleção de docente para a Linha TICPE do PPGE/UNESA. As inscrições estarão abertas até dia 15 de julho – em breve, o edital será divulgado, também, no site institucional, mas já estamos abertos para receber contatos e documentação dos interessados.

Veja AQUI o edital, aproveitando a visita para conhecer, também, nosso histórico e proposta, nossas disciplinas, nossos projetos e nossas produções.

Educação e tecnologia: parcerias 3.0: publicado!

Capa-2014

Clique na imagem para visualizar o volume.

É com muito prazer que anunciamos a publicação do e-Book Educação e tecnologia: parcerias 3.0, o terceiro volume organizado pela Linha TICPE. A obra, que reúne 12 capítulos escritos em colaborações que ilustram a riqueza das pesquisas conduzidas em instituições públicas e privadas do país, consolida nossos esforços no sentido de oferecer um espaço de disseminação de trabalhos desenvolvidos em parcerias entre orientadores e orientandos, e, assim, valorizar uma relação essencial à formação de pesquisadores. Transcrevo, a seguir, algumas palavras da “Apresentação”, escrita por mim e pelo Prof. Márcio Lemgruber:

A abordagem do trabalho de docência e orientação na Linha TICPE é marcada por uma preocupação em estimular diferentes modos de pensar e repensar, criticamente, a presença da tecnologia na Educação e, em geral, na vida contemporânea. Nossos orientandos são encorajados a questionar extremos que ignoram ambivalências, a rever suas respectivas posições e considerar visões a elas alternativas. Esperamos, assim, que se abram a um processo de problematização, reflexão e diálogo no qual teoria e prática não mais sejam considerados como polarizações de excludência, típicas do pensamento maniqueísta.

A centralidade de um contraponto complementar entre teoria e empiria, progressivamente mais explícita nos estudos e pesquisas em nossa área, está fortemente representada nas 12 contribuições incluídas no e-book Educação e tecnologia: parcerias 3.0. Dividido em 4 partes que examinam diversos contextos educacionais nos quais as TIC se fazem presentes, o volume demonstra a importância dos estudos empíricos, da investigação de micro-contextos, da ida ao campo, da reflexão sobre o que nele se apresenta ao pesquisador, permitindo que se vá além da mera reprodução de concepções sem compromisso com a contingência.

Tomados como um conjunto de trabalhos que investigam diferentes aspectos da incorporação das TIC na Educação, os textos incluídos na terceira edição de Educação e tecnologia: parcerias visam contribuir para a base empírica que, cada vez mais se amplia, na literatura da área. Pensamos que tal base complementa os escritos mais especulativos, talvez visionários ou, aparentemente, revolucionários, pois o futuro nunca é inteiramente desvinculado das possibilidades latentes no presente, a ponte que permite vislumbrar a historicidade da invenção e criação humanas.

A novidade este ano foi a adoção de um processo de seleção de contribuições por meio de uma chamada aberta e revisão por um corpo internacional de pareceristas. Contamos, também, com mais um belo trabalho de editoração e projeto gráfico feito pelo Prof. Alexandre Rosado, além de uma nova exposição do artista João LinArtesanatos Binários.  Agradecemos a todos os autores, aos membros do Conselho científico, aos pareceristas e, em especial, ao João, por, mais uma vez, compartilhar livremente os seus lindíssimos trabalhos. Faremos o lançamento do volume no IV Colóquio de Pesquisa em Mídias e Educação, a ser realizado na UNIRIO na semana que vem (2-4 dezembro). Clique aqui para baixar o nosso cartaz de divulgação. Clique nos links a seguir para baixar os volumes anteriores da série:

Educação e tecnologia: parcerias (2012)

Educação e tecnologia: parcerias 2.0 (2013)

Teses de doutorado defendidas na TICPE

Tivemos duas defesas de teses de doutorado na TICPE no final de 2013, e, mesmo um pouquinho atrasada, gostaria de divulgar aqui os detalhes.

A primeira defesa foi de Fátima Ivone de Oliveira Ferreira, com trabalho intitulado Juventude e redes sociais online: culturas mediadoras no contexto da escola básica. Participei da banca, que reuniu as Profas. Lúcia Vilarinho (orientadora) e Rita de Cássia Pereira Lima (Linha RSPE, PPGE/UNESA), o Prof. Paulo Carrano, da UFF, e a Profa. Gilda Olinto de Oliveira, da UFRJ. A tese de Fátima:

(…) discute o uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e das redes sociais online por estudantes do ensino médio de uma tradicional escola pública do Rio de Janeiro – o Colégio Pedro II. A pesquisa, em interface com a Antropologia, a Educação e a Comunicação, investigou as relações que são construídas por 104 jovens nas redes sociais online, buscando compreender como a centralidade dos relacionamentos digitais e as vivências juvenis no ciberespaço alteram sua socialidade e leitura de mundo, aí se incluindo a cultura escolar. Em sua dimensão empírica de base qualitativa, a pesquisa analisou dados a partir de notas etnográficas do cotidiano escolar, entrevistas, questionários, netnografias no Facebook e no blog criado para estimular a reflexividade dos estudantes acerca da cibercultura. Em interatividade com os usuários e em contextos híbridos online/off-line, foi possível reconhecer: o percurso dos jovens estudantes na direção de uma aprendizagem mais cooperativa e autônoma; suas percepções sobre particularidades de gênero nas interações juvenis; as nuances de seus relacionamentos afetivos; e a potencialidade das redes sociais online em termos da participação cidadã. Observou-se a construção de um caleidoscópio que envolve pensamento crítico, posturas características de uma visão cidadã de mundo (campanhas sociais e político-partidárias), e informações sobre a crescente rede de amigos, marcadas pela fragmentação, futilidade e necessidade de se tornar visível. Os resultados indicam que a ambiguidade do imaginário da cibercultura está presente na reflexão desses jovens, levando-os a oscilar entre a sedução / deslumbramento em relação às TIC e o medo do vício, da distração e da incredibilidade das fontes de consulta. A vivência do jovem no ciberespaço conflita com a organização curricular fragmentada em disciplinas; eles, no entanto, reafirmam a relevância da escola. A ideia de tribo entre esses jovens estudantes significa convivência e compartilhamento de emoções em ritmo acelerado. A pesquisa investigou o uso das redes sociais online para além do simples acesso, ou seja, como conjunto de práticas específicas, valores, conceitos, crenças e sistemas de poder dos sujeitos e de seus grupos. Os praticantes estão vivenciando culturas mediadoras que se expressam na escola e que além de provocarem a opacidade do professor, passam a demandar aulas imbricadas às potencialidades oferecidas pelas tecnologias digitais. Concluiu-se que o papel do professor em tempos de cibercultura exige imersão e consciência do lugar das redes sociais online na vida dos estudantes para perceber as possibilidades de intervenção pedagógica e encontrar brechas de apropriação crítica e criativa.

O outro trabalho, Mediação Docente: Formação Continuada de Professores no Âmbito da Educação a Distância, foi produzido por Maria Esther Provenzano, orientanda do Prof. Márcio Lemgruber. Na banca estavam, além de seu orientador, as Profas. Lúcia Vilarinho e Estrella Bohadana, da TICPE, Profa. Lucila Pesce, da UNIFESP, e a Profa. Adriana Bruno, da UFJF. Veja abaixo o resumo.

Investigar como ocorre a mediação de professores, em um curso de Educação a Distância (EaD) semipresencial, capaz de operar de modo dialógico, comunicativo, argumentativo, complexo e por meio de diferentes linguagens, é a intenção desta tese. Trata-se de um curso de formação continuada de professores em nível de pós-graduação lato sensu em Educação Tecnológica, desenvolvido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro/CEFET/RJ em parceria com a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro/ CEDERJ. Este curso encontra-se vinculado à Universidade Aberta do Brasil (UAB), uma política pública de governo, coordenada pelo Ministério da Educação e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/MEC/CAPES. Esta pesquisa se insere no âmbito das mudanças que se processam em torno da educação a distância, que compartilha momentos presenciais e virtuais, como encontros presenciais combinados com o ambiente de aprendizagem Moodle (acrônimo de Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment). Tem como objetivo geral investigar a construção da mediação docente desenvolvida na EaD semipresencial, a partir de três atores presentes na complexidade do curso: o professor-pesquisador, o professor-tutor e o professor-cursista. Para tanto, buscamos identificar os desafios que a EaD, desenvolvida com momentos presenciais e online, trouxe para esses atores do curso; perceber como a mediação docente foi desenvolvida nas interfaces interativas do Moodle, dificuldades e facilidades retratadas pelos atores do curso. O referencial teórico toma como base quatro eixos articulados entre si: pensamento epistemológico setorial, histórico e complexo de Gaston Bachelard e Edgar Morin; razão argumentativa e razão comunicativa de Chaïm Perelman e Jürgen Habermas; diálogo e saberes profissionais da docência com base em Paulo Freire e Maurice Tardif; e o campo das ações pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem, trazendo concepções da cibercultura, linguagem e interatividade dos autores Pierre Lévy, Lucia Santaella e Marco Silva. A metodologia de pesquisa foi o estudo de caso, utilizando como procedimentos para a coleta de informações o questionário semiestruturado, entrevistas, observação participante e a análise de documentos. As informações foram tratadas por meio da análise de conteúdo. A metodologia se apoiou na perspectiva qualitativa e quantitativa. Seus resultados indicaram que a mediação docente pode ser compartilhada entre os atores do curso, mas a autoria deve ser, inicialmente, do professor-pesquisador especialista do conteúdo. Para tanto, o material didático deve ter espaços oxigenados de modo que permita complementações e ressignificações de sentido evitando a polidocência fragmentada. Finalmente concluímos que, no curso pesquisado, o professor-tutor exerce de forma mais direta a mediação docente. O tutor que exerce as funções de mediação pedagógica, presencial ou a distância, deve ser considerado um professor. Daí a importância de se reconhecer sua identidade docente.

Os trabalhos serão disponibilizados em breve, em sua íntegra, nesta página do site do PPGE.

Novo e-book TICPE: Educação e tecnologia: parcerias 2.0

Educação e Tecnologia - Capa e-book 2013

(clique na imagem para visualizar o e-book)

(clique aqui para baixar o e-book)

Dando continuidade à proposta que iniciamos com a publicação de Educação e tecnologia: parcerias em dezembro de 2012, estamos agora disponibilizando nossa nova obra: Educação e tecnologia: parcerias 2.0. O volume reúne 12 capítulos escritos em colaborações que ilustram a riqueza das pesquisas conduzidas em instituições públicas e privadas do país.

Com uma Apresentação escrita pela Profa. Dra. Apparecida Mamede, Coordenadora do Diretório Jovens em Rede, da PUC-Rio, bem como pareceres de um Conselho Científico internacional, a obra traz, também, uma novidade que complementa o belo trabalho de editoração e projeto gráfico feito pelo Prof. Alexandre Rosado: uma exposição de obras do artista multimídia João Lin, À sombra leve dos anjos. João é artista gráfico premiado, e atua como coordenador assistente do projeto social Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia – Recife.

Ficam aqui nossos agradecimentos a todos os autores, pareceristas e, em especial, à Apparecida e ao João. A publicação desse volume marca o primeiro ano de existência de nosso blog, mas comemora, também, outros acontecimentos (aguardem os próximos posts!). De nossa Apresentação, mais alguns detalhes:

Um passo, dois passos…

Se na primeira edição do e-book Educação e Tecnologia: Parcerias falávamos da comemoração dos 10 anos do reconhecimento de nosso PPGE e traçávamos o objetivo de expandir parcerias inter-institucionais e entre professores e orientandos, neste segundo volume podemos dizer que estamos mais maduros e conscientes da trajetória iniciada.

O projeto e-book cresceu e agora conta com pesquisadores de inúmeras instituições e universidades, tanto públicas como privadas, de diversos estados brasileiros. CEFET/RJ, Fiocruz, Fundação Osório, SENAI, SENAC, UBM, UNISUAM, UCAM, UNIRIO, UNEB, UFSJ, UFJF, UFRJ, UERJ, PUC-Rio, UAB se veem aqui representadas por pesquisadores que se empenham em entender a relação da educação com as tecnologias, especialmente as de configuração digital. As parcerias cresceram e a responsabilidade em dar continuidade também.

Por isso, chegamos a esta “versão 2.0” do nosso e-book, sendo o algarismo dois significativo em diversos sentidos. Os duos que formam as parcerias destacadas entre orientadores e orientandos, mestrandos ou doutorandos criam teias de relações construídas em espaços on-line da Internet, agora também chamada de web 2.0.

As redes sociais são também de “dupla face” para nós, envolvendo relações de amizade offiline/on-line que precisam do contato presencial, não ficando restritas às malhas da Internet. Este e-book nos trouxe novos laços, consolidou amizades antigas e ajudou também a pensar diversas questões no campo da educação e TICs. A linha TICPE agradece a todos que colaboraram para este livro, em especial a Fábrica de Conhecimento com sua cuidadosa assessoria na elaboração da arte gráfica da capa deste segundo volume, uma parceria fundamental em nosso trabalho.

Entre tantas parcerias, destacamos a existência de três seções delimitadas a partir do mapeamento de temáticas contemporâneas das tecnologias digitais no âmbito da Educação. As redes criadas ao longo da construção coletiva deste e-book também inspiraram o surgimento, ao final do livro, do espaço “Relatório de pesquisa” que conta com a pesquisadora Maria Apparecida Mamede-Neves, líder do diretório de pesquisas Jovens em Rede em co-autoria com um dos organizadores deste livro. O capítulo extrapola o formato de um artigo, pois traz, de maneira mais aprofundada, a empiria coletada ao longo de três anos de pesquisa.

(Alberto, Alexandre, Estrella, Giselle &Márcio)

Como foi o caso com o volume anterior, o trabalho agora disponibilizado está compartilhado sob uma licença Creative Commons. Convidamos a todos para ler, comentar, reusar, compartilhar! 

Clique aqui para visualizar Educação e tecnologias: parcerias 2.0.

Clique aqui para baixar o volume.

Leituras recomendadas: Huxley, Orwell e Postman

Parte do trabalho que fazemos com os alunos da TICPE envolve a utilização de obras da Literatura e do Cinema que julgamos pertinentes a discussões sobre as relações entre Tecnologia e Educação. Dentre nossas recomendações, figuram, com especial destaque, os livros 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. O contraponto entre os cenários imaginados por esses escritores ingleses abre um leque de possibilidades interessantes para pensarmos sobre o mundo atual, conforme sugerido por Neil Postman no prefácio de seu livro Amusing ourselves to death. Public Discourse in the Age of Show Business (edição original de 1985).

Mesmo tendo sido escrito bem antes da Web aparecer, o livro de Postman permanece bastante atual e, assim, figura em nossa lista de recomendações de leitura complementar (opcional, pois não parece haver nenhuma tradução para o português). A edição comemorativa de 20 anos de publicação da obra (Londres: Penguin, 2005) inclui uma introdução que discute a relevância continuada da crítica oferecida por Postman (que também têm críticos – mas isso é uma outra história…).

Compartilho abaixo uma tradução do prefácio – e recomendo fortemente a leitura dos livros!

Estávamos de olho em 1984. Quando o ano chegou e a profecia não se cumpriu, os norte-americanos (estadunidenses) sérios cantaram docemente em louvor a si mesmos. As raízes da democracia liberal se haviam sustentado. Onde quer que o terror houvesse se materializado, nós, pelo menos, não fôramos visitados pelos pesadelos de Orwell.

No entanto, havíamos esquecido que, ao lado da visão sombria de Orwell, havia outra – mais velha, ligeiramente menos conhecida, igualmente deprimente: o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Em oposição à crença generalizada até mesmo dentre os mais cultos, Huxley e Orwell não profetizaram a mesma coisa. Orwell avisa que seremos subjugados por uma opressão externamente imposta. Na visão de Huxley, porém, nenhum Grande Irmão é necessário para privar as pessoas de sua autonomia, maturidade e história. Segundo ele, as pessoas virão a amar sua opressão, a adorar as tecnologias que destroem suas capacidades de pensar.

Orwell temia aqueles que banissem os livros. Huxley temia que não houvesse motivos para se banir os livros, pois não haveria quem os quisesse ler. Orwell temia aqueles que nos privassem de informação. Huxley temia aqueles que nos dessem tanta informação que ficaríamos reduzidos à passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade nos fosse ocultada. Huxley temia que a verdade se afogasse em um mar de irrelevância. Orwell temia que nos tornássemos uma cultura cativa. Huxley temia que nos tornássemos uma cultura trivial, preocupada com algum equivalente do CinemaSensível, do Orgião-espadão e da Balatela Centrífuga. Conforme Huxley observou em Admirável Mundo Novo, os libertários e racionalistas civis que estão para sempre em alerta para opor a tirania “fracassaram ao ignorar o apetite quase infinito do homem por distrações”. Em 1984, Huxley complementou, o homem é controlado por meio da dor. No Admirável Mundo Novo, o controle é por meio do prazer. Em suma, Orwell temia que aquilo que detestamos nos arruinará. Huxley temia que aquilo que amamos nos arruinará.

Este livro é sobre a possiblidade de que Huxley, não Orwell, estava certo.

POSTMAN, N. Amusing ourselves to death. (p. xix-xx). Londres: Penguin, 2005.