Formação de pesquisadores em Educação

Tecnologia educacional: por uma perspectiva histórica e contextualizada

“A Tecnologia Educacional (TE) pode ser entendida como um campo de pesquisa, desenvolvimento e aplicação que se constitui por pautas diversas e é marcado por múltiplas contradições, conflitos e tensões, de forma consistente com a perspectiva do sociólogo da TE Neil Selwyn”.

Como ilustração das possibilidades abertas por essa forma de pensar a TE, a Profa. Giselle Ferreira tomou o exemplo de dois verbetes – Educação/Aprendizagem Aberta/Aprendizagem Aberta a Distância e Inclusão Tecnológica para provocar reflexões durante  o Simpósio Internacional de Educação a Distância realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os verbetes foram elaborados em colaboração com a Profa. Jaciara de Sá Carvalho e serão publicados em 2017 no Dicionário Crítico de Tecnologia Educacional, organizado pelo Prof. Daniel Mill (UFSCar).

“Em ambos os verbetes, figuram proeminentemente, como eixos organizadores do argumento proposto, as antinomias ‘inovação vs. tradição e ‘inclusão vs. exclusão’, que refletem uma polarização identificada na literatura da área entre visões ‘prometeicas’ e ‘fáusticas’ acerca da relação entre a técnica e o humano. Nessa perspectiva, a discussão na área precisaria adotar abordagens que considerem questões histórico-filosóficas e resgatem a importância das especificidades contextuais na pesquisa empírica, de modo a possibilitar a discussão de implicações da historicidade dos significados atribuídos a rótulos em diferentes lugares e tempos”- sugere a Prof. Giselle.

Sua palestra integrou a Mesa Temática Pesquisa em Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: cenários, métodos e importância da qual também participaram os professores doutores Vani Kenski (ABED/SITE/USP) e Fernando Fidalgo (UFMG). Confira a gravação da mesa no vídeo abaixo:

 

 

Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

No dia 29 de setembro, a Profa. Dra. Ana Valéria De Figueiredo da Costa (UERJ, UNESA, UNIG) apresentou o trabalho: Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

O trabalho apresentado é fruto de  pesquisas  desenvolvida desde 2004, quando a Profa. Ana Valéria ingressou no Doutorado (PUC-Rio). Defendida em 2008, sua tese –  Imagens Fotográficas de Professoras: uma trajetória visual do magistério em escolas municipais do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX –  foi desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Maria Apparecida Mamede-Neves.

Suas pesquisas têm como objetivo central investigar, a partir de registros imagéticos diversos – em especial reproduções fotográficas – as relações sociais, usos e costumes que emergem em uma determinada época. Para tal, a Profa.  Ana Valéria elaborou uma estrutura de análise que tem como ponto central a fotografia como texto visual. Essa estrutura tem por base principal os estudos de Bóris Kossoy, Ana Maria Mauad, Lorenzo Vilches, Ruggiero Eugeni, Roland Barthes.

Na ocasião estiveram presentes professores, alunos e ex-alunos das diferentes linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (PPGE-UNESA).

anaval

Com nossa convidada Profa. Ana Valéria.

 

 

Livro “redes e comunidades” é fonte em concurso da rede municipal do Rio de Janeiro

livro jaci_capaAntes que o ano acabe, gostaria de compartilhar a alegria de saber que o livro Redes e comunidades: ensino-aprendizagem pela Internet foi citado na prova do último concurso da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para contratação de professor de Educação Infantil. A questão 21 de Atualidades, sobre os “elementos de rede que caracterizam o ciberespaço”, reproduziu trecho de capítulo que discute o conceito de rede de forma ampla e focada nas redes de pessoas. Veja a íntegra da prova clicando aqui.

O livro de minha autoria foi publicado pela Editora e Livraria Instituto Paulo Freire sob licença Creative Commons, partindo do princípio de que o conhecimento deve(ria) ser um bem comum. Por isso, está disponível aqui para você baixar, ler, estudar, reproduzir e remixar. Se preferir impresso, está à venda neste site, entre outros.

Que 2016 traga mais ótimas notícias não apenas para mim, mas para você também. Todos nós estamos precisando…

“De Metrópolis a Matrix”: nova publicação da TICPE

Em meio às preparações do e-book volume 4, que lançamos ontem, não tive tempo de divulgar a publicação de um artigo que é especial para nós: “De Metrópolis à Matrix: arte e filosofia na formação de pesquisadores em educação“, publicado na revista Leitura: Teoria e PráticaO artigo é fruto do trabalho da linha em 2013-2014 (composta pelo Alexandre, Estrella, eu e Márcio, com a Profa. Lúcia dedicando poucas horas ao PPGE em preparação para a sua aposentadoria), quando reformulamos nossa disciplina obrigatória do mestrado.

O artigo é baseado em reflexões sobre a nossa primeira experiência com a disciplina, que, desde então, tem sido aperfeiçoada e adaptada continuamente, já que trabalhamos em esquema de team teaching nessa disciplina (e em outras, ocasionalmente).

Eis o resumo:

Este artigo discute a experiência em uma disciplina de mestrado conduzida segundo uma abordagem baseada na sensibilização estética, por meio de obras do cinema, da literatura e da filosofia, como forma de questionar o maniqueísmo fundamentado nos discursos utópicos e distópicos que se alternam nas mídias e na literatura acadêmica acerca das tecnologias na educação. Examinando extremos que desconsideram ambivalências e valorizando as experiências trazidas pelos alunos, a disciplina os estimulou a refletir sobre a Educação, a sociedade contemporânea e a presença das tecnologias. Participaram da primeira turma 18 alunos que, ao longo do semestre, propuseram um total de 295 questões. O artigo apresenta uma reflexão sobre a experiência e os achados decorrentes de uma análise temática dessas questões. Apesar da forte presença de perguntas binárias, analógicas, comparativas ou que essencializam objetos e instituições, a experiência sugere que a arte e a filosofia podem desafiar convicções assentadas, porém, acríticas.

Somos muito gratos a todos os alunos que participaram e muito nos ensinaram também!

Veja mais sobre a disciplina neste post e recomendações de recursos complementares neste.

Clique aqui para baixar o artigo.

Clique aqui para acessar página inicial da revista Leitura: Teoria e Prática.

e-Book Educação e tecnologia: parcerias. Volume 4 – publicado!

Capa Educação e Tecnologias Parcerias vol 4 - proposta 6.5Anunciamos, com muita alegria, a publicação de nosso e-book anual, Educação e tecnologia: parcerias. Volume 4. A coletânea deste ano inclui 9 capítulos que, utilizando uma variedade de abordagens teórico-metodológicas, focalizam temáticas “de ponta” no universo de interlace entre as tecnologias, principalmente as digitais, e a educação.

Seguimos o mesmo processo estabelecido na preparação do volume anterior: um esquema de avaliação cega por pares fundamentando a seleção de trabalhos dentre as propostas enviadas em resposta à nossa chamada aberta. O Prof. Alexandre Rosado foi novamente responsável belo projeto gráfico e editoração cuidadosa do material, que, mais uma vez, inclui uma exposição de novos trabalhos do artista visual João Lin. Atualizamos o estilo da capa, que, neste ano, foi criada também pelo Prof. Alexandre utilizando uma imagem de um mosaico abstrato criado pela mosaicista Eunice Ferreira.

Algumas palavras de nossa apresentação:

A preparação de nosso – agora consolidado – e-book anual é um grande prazer para nós da linha TICPE. Nosso trabalho é artesanal: conduzimos todo o processo nós mesmos, com muito entusiasmo, em um grande mosaico de pesquisadores, orientandos, seus textos e, também, artistas e suas encantadoras obras de arte. Cuidamos desde a seleção dos textos, revisão técnica e diagramação até a disponibilização e disseminação via redes digitais, o que atesta nosso comprometimento com a pesquisa e, acima de tudo, nosso profundo respeito pelo diálogo e cooperação.

Em parte, são as próprias TIC, instrumentos de alta tecnologia, que possibilitam esta empreitada artesanal: das ferramentas livremente disponíveis que utilizamos às plataformas de redes sociais que apoiam nossas redes de contatos. No entanto, mais importante do que artefatos, julgamos que são, de fato, o talento, as habilidades e o comprometimento de todos que contribuem para o processo, incluindo nossos pareceristas e Conselho Científico, o que nos possibilita levar às suas mãos, anualmente, esta coletânea.

O volume inclui, também, uma homenagem personalíssima de Luis Zorraquino, companheiro de nossa saudosa Estrella Bohadana, a quem dedicamos a obra:

A produção deste volume 4 (…) foi marcada pela perda irreparável que sofremos em maio deste ano: a de nossa colega, companheira de aventuras intelectuais e amiga, Estrella Bohadana. Estrella era a única componente original do grupo TICPE, criado em 2000, e uma das responsáveis pela idealização e concretização do volume que deu origem à série. (…)

Agradecemos ao Luis por compartilhar sua perspectiva tão pessoal conosco e com os nossos leitores, e dedicamos o Educação e tecnologia: parcerias. Volume 4 à Estrella.

Agradecemos a todos que contribuíram das mais diversas formas, em particular, os autores, pareceristas e membros do Conselho Científico. Somos, também, muito gratos ao João por sua enorme generosidade em compartilhar, primeiramente conosco e, obviamente, com nossos leitores, seus delicados trabalhos.

Clique aqui para baixar o volume completo.

Clique aqui para baixar o cartaz de divulgação do trabalho (com QR Code).

Clique aqui para acessar a página com links para todos os volumes da série.

 

Teses defendidas na TICPE

Entre 2014 e 2015, tivemos as defesas de duas instigantes teses na linha, então aproveitando que ontem retomei o Diálogos, compartilho os detalhes.

Em final de julho deste ano, defendeu sua tese Ambientes Pessoais de Aprendizagem em Escola de Ensino Médio meu doutorando Rafael Castiglione. A pesquisa do Rafael

teve como objetivo geral investigar o uso das TIC, complementar ao ensino médio presencial, com o propósito de estimular o desenvolvimento da autonomia dos alunos, tendo como base a concepção dos Ambientes Pessoais de Aprendizagem (APA). Deste objetivo geral foram elaborados os objetivos específicos: (a) Identificar as práticas educacionais emergentes que se utilizam de APA na educação formal; (b) Analisar os usos de ferramentas da Web pelos alunos participantes da pesquisa, identificando suas preferências, propósitos e contextos de utilização; (c) Analisar as possibilidades e desafios associados à integração da ideia de APA na educação formal. Tais objetivos foram investigados em um trabalho de Pesquisa-ação, sendo a coleta de dados realizada a partir de entrevistas, aplicação de questionários e observação de campo. O processo de análise dos dados foi quantitativo e qualitativo, sendo neste último utilizado como método a análise de conteúdo. Para dar sustentação à discussão, foram incorporadas considerações pedagógicas, tendo por base contribuições teóricas da aprendizagem, da autonomia, e das TIC, em particular, os Ambientes Pessoais de Aprendizagem. O estudo foi realizado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, no curso técnico de informática integrado ao ensino médio, nas disciplinas “Programação para Web” e “Modelagem de dados”, com a participação de 108 alunos dos três anos escolares, organizados em quatro grupos. Os principais achados foram: (a) confirmação da presença da escola e do professor como importantes atores no processo de aprendizagem; (b) o domínio e a facilidade de migração de ferramentas ligadas à interação social e recepção de informação por parte dos alunos; (c) a possibilidade de construção de uma sala de aula mais autônoma e integrada aos espaços não formais de ensino; e (d) a dificuldade dos alunos em expor e discutir seus pontos de vista, refletida na baixa produção colaborativa e compartilhamento de informações. A experiência sugere a necessidade de investigações futuras acerca do melhor momento da trajetória escolar para a incorporação de processos de construção coletiva do conhecimento apoiadas pelas TIC como uma rede de conexões.

As palavras-chave do trabalho são: Ambientes Pessoais de Aprendizagem; Ensino Médio Integrado; Aprendizagem centrada no aluno; Autonomia

No final de 2014, Mirian Maia do Amaral, orientanda do Prof. Márcio Lemgruber, defendeu seu trabalho intitulado Autorias docente e discente: pilares de sustentabilidade na produção textual e imagética em redes educativas presenciais e on-line. Eis o resumo:

Na contemporaneidade, com a emersão de uma diversidade de modelos autorais e novas formas de colaboração e criação, uma questão desafia os pesquisadores: como autorias coletivas e, ao mesmo tempo singularizantes, podem ser produzidas sob as formas textuais e imagéticas e materializadas em redes educativas, presencial e online? Para responder a essa questão, objetivamos, nessa Tese, identificar e formular indicadores que potencializam e promovem o surgimento de autorias docente e discente, na tessitura do conhecimento, em rede. Amparados pelo paradigma da complexidade, trabalhamos, no âmbito da disciplina eletiva Cotidianos e Currículos: uma prática social em formação, integrante do curso de Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na perspectiva da pesquisa-formação multirreferencial, e com a ideia de pesquisador implicado com seu campo de pesquisa. Durante três semestres, atuamos em quatro turmas, junto a estudantes provenientes de diferentes tipos de licenciaturas. Dialogamos, também, com os pressupostos das pesquisas nos/dos/com os cotidianos, apoiados no uso intensivo de dispositivos materiais e intelectuais, como diário de itinerâncias, textos científicos, ambientes virtuais de aprendizagem e suas interfaces, oficinas de histórias em quadrinhos e vídeos, entre outros. A partir de atos de currículo, instituímos estratégias pedagógicas que nos levaram a ―pistas‖ de autorias, que apontaram para dimensões integrativas, formativas e tecnológicas, possibilitando-nos identificar um conjunto de indicadores a elas relacionados. Esses indicadores, caracterizados pelas ações engendradas ao longo do processo de aprendizagem, atuaram como ―disparadores‖, potencializando o surgimento dessas autorias, sob diferentes formas: na reprodução textual; no planejamento da sintaxe produtiva; na transposição de gêneros do discurso; no uso da oralidade nos meios virtuais; em processos interativos; na cultura remix; e nos recursos argumentativos e linguísticos. A conclusão a que chegamos é a de que, em tempos de cibercultura, a noção de autoria se torna cada vez mais coletiva e pulverizada. Somos todos autores, em potencial, na medida em que ancoramos nossos dizeres, em nossas memórias e nos dizeres alheios, assumindo uma posição responsiva e responsável pelo que expressamos. Nessa perspectiva, o uso de indicadores privilegia processos colaborativos, interativos e dialógicos potencializando o surgimento de autorias em diferentes níveis.

As palavras-chave do trabalho da Mirian são:Cibercultura; Redes educativas; Formação de professores; Autorias.

Há mais defesas de teses previstas para o final de 2015 – compartilharei os detalhes aqui oportunamente!

Abertura de processo de seleção de docente para a TICPE

Está aberto o processo de seleção de docente para a Linha TICPE do PPGE/UNESA. As inscrições estarão abertas até dia 15 de julho – em breve, o edital será divulgado, também, no site institucional, mas já estamos abertos para receber contatos e documentação dos interessados.

Veja AQUI o edital, aproveitando a visita para conhecer, também, nosso histórico e proposta, nossas disciplinas, nossos projetos e nossas produções.