Publicações

Primeira do ano: anais do TicEduca (Lisboa)

ticeducaComeçamos bem o ano com o recebimento das Atas do IV Congresso Internacional TIC e Educação 2016: Tecnologias Digitais e o Futuro da Escola, onde foram publicados os trabalhos apresentados no ticEduca 2016, realizado em setembro/2016 no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Naquele período, publicamos aqui apenas os resumos dos artigos remetidos por mim e por Giselle e Stella (em parceria com orientandas). Agora, os interessados podem conferir a íntegra de nossos trabalhos e de outros colegas deste evento bianual.

Vale dar uma olhada nos pertinentes eixos que abrangem uma gama interessante de objetos de estudo.

 

e-book TICPE: atualização

5230721698_def3687cde_bComo sabem nossos alunos, colegas e leitores deste blog, desde 2012 temos mantido a publicação anual de uma coletânea que reúne trabalhos representativos da produção científica na área da Educação e Tecnologia no Brasil (e, nos dois últimos volumes, em Portugal). Os volumes anteriores podem ser baixados por meio da página Nossas Produções.

Ao longo do tempo, fomos aprimorando o nosso processo de produção desse volume, que tem contado com o apoio de um conselho científico internacional e, desde 2014, um processo de seleção de contribuições a partir da revisão cega de submissões solicitadas por edital público. Consideramos o volume 4, de 2015, uma publicação madura que veicula material de excelente qualidade.

Em 2016, optamos por tomar um caminho diferente (e mais arriscado…): a organização de um volume especial temático com contribuições convidadas de autores-chave na área. De forma consistente com os interesses e discussões atuais da linha TICPE, idealizamos um volume focalizado em “abordagens críticas”. A partir disso e de uma lista de potenciais colaboradores, em março, disparamos convites a diversos autores no país e no exterior. Suspense…

Para nossa alegria (e surpresa, em alguns casos), recebemos uma esmagadora maioria de respostas positivas. Em particular, nosso primeiro “sim” veio de Neil Selwyn, autor dos dois excelentes textos cujas traduções compartilhamos aqui e aqui – foram o primeiro “sim” e o primeiro resumo que recebemos, e, de fato, o primeiro texto completo, que nos chegou ainda em julho. Grande honra e alegria!

Dentre as várias contribuições a serem publicadas, incluem-se textos de Richard Hall, professor titular na Universidade de Montfort, Inglaterra, Martin Weller, professor titular na Open University do Reino Unido, e Richard Barbrook, que muitos por aqui conhecem como autor do excelente Futuros Imaginários. Teremos, também, um texto de Raquel Goulart Barreto, coordenadora do Grupo de Pesquisa Educação e Comunicação na UERJ e autora cujos trabalhos incluímos frequentemente em nossas listas de leituras recomendadas. Evitando esvaziar o lançamento do volume, digamos que, no todo, a coletânea cobrirá vários tópicos, temas e “rótulos” da tecnologia educacional em perspectivas críticas à predominante “euforia” em torno da tecnologia na educação.

O objetivo desse post é, de fato, informar a todos de nossa decisão de publicar esse volume em 2017, em vez de dezembro, como fizemos no caso dos volumes já publicados.

O fato é que vários de nós envolvidos no projeto tivemos um ano muito difícil (a hashtag #acaba2016 me ocorre…), incluindo dois autores que nos enviaram belíssimas propostas iniciais, mas, com muito pesar e muitas desculpas, retiraram-se do projeto por não terem condições de terminar seus respectivos textos a tempo. Diante de um plano que, por fim, revelou-se bastante ambicioso, optamos por não entrar em uma corrida desabalada em tempos de fechamento de semestre (de fato, de ano acadêmico). Diante disso, nossa meta de publicação é março de 2017 – o plano é aproveitar as férias escolares para compensar os atrasos decorrentes dos múltiplos percalços que todos experimentamos ao longo do ano.

Não foi uma decisão fácil, mas concordamos que o tempo extra vai nos permitir finalizar um volume mais próximo daquilo que planejamos inicialmente.

E como digo sempre: avante!

Crédito da imagem: Homework, de Phil Roeder

Tradução 2: “A tecnologia educacional como ideologia”, de Neil Selwyn

f3836Complementando nosso “pacote de fim de ano”  🙂  , circulamos agora a segunda tradução de texto do sociólogo da Educação e Tecnologia britânico Neil Selwyn:  o capítulo 2 de Distrusting Educational Technology: critical questions for changing times (Desconfiando da Tecnologia Educacional. Londres: Routledge, 2014 – também disponível para Kindle), intitulado “Educational Technology as ideology”, em português, “Tecnologia educacional como ideologia“. Eis uma tradução da apresentação do livro:

Desconfiando da Tecnologia Educacional explora criticamente o consenso otimista que envolve o uso da tecnologia digital na educação. A partir de uma variedade de perspectivas teóricas e empíricas, o livro mostra como as formas aparentemente neutras da tecnologia educacional têm, de fato, servido para alinhar a oferta e as práticas educacionais a valores neoliberais, desgastando a natureza da educação como um bem público e direcionando-a às tendências individualistas do século XXI. Questionando amplamente as dimensões ideológicas da tecnologia educacional, este livro examina, em detalhes, tipos específicos de tecnologia educacional atualmente em uso na educação, incluindo a educação virtual, cursos “abertos”, jogos digitais e mídias sociais. Conclui com recomendações específicas na direção de formas mais justas de tecnologia educacional. Leitura ideal para qualquer pessoa interessada na natureza em rápida transformação da educação contemporânea, Desconfiando da Tecnologia Educacional constitui uma crítica ambiciosa e muito necessária.

O capítulo 2 analisa (como o texto compartilhado anteriormente, de forma quase “didática”) várias concepções de “ideologia”, de forma a construir uma base para a discussão de Educação e Tecnologia como uma área caracterizada por conflitos e tensões de natureza fortemente política, mas que tendem a ser ignorados. Em outras palavras: o capítulo oferece um uma discussão aprofundada e muitíssimo bem argumentada em oposição à ideia de que a tecnologia é neutra.

Trata-se, aqui, de um texto bem mais denso do que o anterior (em parte, devido à complexidade da discussão sobre o tema central, “ideologia”), mas que articula as bases propostas na apresentação do livro. Os capítulos subsequentes exploram o que, de fato, consiste em ilustrações, exemplos específicos de “gêneros da tecnologia educacional” atual, conforme Selwyn explica no final do capítulo inicial: “virtual”, “aberta”, “jogos” e “social”. Vale analisar, também, a lista de referências, que inclui muitas possibilidades interessantes de outras leituras.

Desejamos boas leituras a todos – e fiquem por aqui, pois, mais tarde, circularemos novidades sobre nosso e-book anual!

Clique aqui para baixar “Tecnologia Educacional como ideologia“, de Neil Selwyn.

Clique aqui para acessar o texto que disponibilizamos ontem, “O que queremos dizer com ‘educação’ e ‘tecnologia’?“, do mesmo autor.

Tradução 1: “O que queremos dizer com ‘educação’ e ‘tecnologia’?”, de Neil Selwyn

f3836Na sequência do anúncio feito em postagem de ontem, compartilhamos agora o primeiro texto prometido, do sociólogo da Educação e Tecnologia britânico Neil Selwyn: o capítulo 1 do livro Education and Technology: key issues and debates (Londres: Routledge, 2011 – recentemente disponibilizado em sua segunda edição)Em tradução, eis a apresentação sucinta do livro:

A tecnologia digital está no coração da oferta educacional contemporânea. Este livro considera aspectos-chave da área e discute questões fundamentais – ainda que quase nunca verbalizadas – pertinentes ao uso crescente de tecnologias na educação. Focaliza aspectos sociais e técnicos dessas questões, reflete cuidadosamente sobre as pessoas, práticas, processos e estruturas envolvidas no uso de tecnologias na educação, e considera uma gama de debates e controvérsias correntes. A tecnologia substituirá a escola ou a universidade? A tecnologia substituirá o professor? O que realmente sabemos a respeito da relação entre aprendizagem e tecnologia? A tecnologia torna a aprendizagem mais justa? A tecnologia pode apoiar a resolução dos muitos problemas e desigualdades educacionais que confrontam pessoas ao redor do mundo? Qual o futuro da tecnologia e educação? Neil Selwyn lança um olhar crítico a alguns dos debates centrais sobre as tecnologias digitais na educação. O volume inclui questões de estudo e listas anotadas de leituras recomendadas, bem como um Website com sugestões de fontes e recursos complementares.

O capítulo traduzido é intitulado “What do we mean by ‘education’ and ‘technology’?”, em português, “O que queremos dizer com ‘educação’ e ‘tecnologia’“?.  Nesse capítulo, o autor examina diferentes concepções de “educação” e “tecnologia” de forma quase “didática”, lançando as bases para a apresentação de uma concepção mais abrangente de tecnologia educacional. Concebendo “tecnologia” de forma que engloba atores, relações, práticas e contextos, além de artefatos, é possível conduzir-se análises que revelam questionamentos bem mais interessantes e profundos do que as questões meramente instrumentais associadas ao “uso” de artefatos digitais em situações educacionais.

É interessante notar a consistência entre a concepção de “tecnologia” trazida em um post passado (uma tradução que fiquei devendo, mas que, um dia, terminarei) e a proposta de Selwyn, apesar dos autores (aparentemente) terem se apoiado em fontes bastante diferentes.

Nossa escolha em trabalhar com esse capítulo deve-se, além daquilo que percebemos como um “didatismo”, à sua natureza de “síntese situada”: ideias complexas de várias áreas são articuladas e situadas no contexto da Educação, que nem sempre é o caso em textos especialistas (da Filosofia da Técnica, por exemplo, que são bem menos acessíveis a leitores não especializados). A lista de referências utilizada é riquíssima – além de textos já considerados “clássicos” (como a trilogia A Era da Informação de Castells), engloba muitos outros autores que permanecem, como Selwyn, pouco divulgados por aqui.

Paro por aqui, mas volto amanhã com o segundo texto – até lá, boa leitura!

Clique aqui para baixar o “O que queremos dizer com ‘educação’ e ‘tecnologia’“?, de Neil Selwyn.

Educação e mídias sociais: publicação multilíngue

ImageGenChegou ontem pelo correio o volume Research on social media: a glocal view, em português, Investigação em media sociais: uma visão glocal, uma excelente coletânea organizada por Vitor Tomé, da Escola Superior de Educação e ComunicaçãoUniversidade do Algarve, Evelyne Bévort, do Institute for Higher Social Communication Studies, Bruxelase Vitor Reia-Batista, da Escola Superior de Educação e ComunicaçãoUniversidade do Algarve.

Férias ou não, fim de ano ou não, tive que dar uma olhada, ainda que rápida 🙂 – a leitura detalhada ficará para janeiro, mas quis registrar a publicação aqui, logo de uma vez, pois o trabalho está disponível apenas em impresso vindo de Portugal, então é preciso esperar um tempinho para tê-lo em mãos.

A obra adota uma “lógica glocal” para abordar questões pertinentes ao uso de mídias sociais na educação, e oferece “múltiplas perspectivas geográficas, culturais e ideológicas de contextualização, de interpretação e de criação de novas propostas e projectos”, nas palavras de Reia-Batista.

São 7 capítulos em português, castelhano, francês e inglês:

Capítulo/Chapter I – Building and Funding Research Communities Online (Lisa Dethridge, RMIT University, Australia)

Capítulo/Chapter II – Redes sociales: luces y sombras en el ámbito de Comunicación y Educación (Rayén Condeza y Mar Fontcuberta, Pontifícia Universidad Católica de Chile)

Capítulo/Chapter III – Mobile Technologies Changing the Face of Social Networking from Web 2.0 to E-Learning (Belinha De Abreu, Fairfield University, United States of America)

Capítulo/Chapter IV – On the use of Facebook in higher education: three emerging themes (Giselle Martins dos Santos Ferreira, Estrella D’Alva Benaion Bohadana, Luiz Alexandre da Silva Rosado, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, Brasil)

Capítulo/Chapter V – Jóvenes, redes y gestión de la intimidad (Ignacio Aguaded, Universidad de Huelva, Espanha e Inmaculada Berlanga-Fernández, Universidad Internacional de la Rioja, Espanha)

Capítulo/Chapter VI – Adolescentes: cómo construyen su identidad en las redes sociales (Roxana Morduchowicz, Ministério de la Educación, Buenos Aires, Argentina)

Capítulo/Chapter VII – Redes sociais online: práticas e percepções de jovens (9-16), seus professores e encarregados de educação (Vitor Tomé, CIAC – Universidade do Algarve)

O livro pode ser adquirido por meio do formulário disponível nesta página.

Livro “redes e comunidades” é fonte em concurso da rede municipal do Rio de Janeiro

livro jaci_capaAntes que o ano acabe, gostaria de compartilhar a alegria de saber que o livro Redes e comunidades: ensino-aprendizagem pela Internet foi citado na prova do último concurso da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para contratação de professor de Educação Infantil. A questão 21 de Atualidades, sobre os “elementos de rede que caracterizam o ciberespaço”, reproduziu trecho de capítulo que discute o conceito de rede de forma ampla e focada nas redes de pessoas. Veja a íntegra da prova clicando aqui.

O livro de minha autoria foi publicado pela Editora e Livraria Instituto Paulo Freire sob licença Creative Commons, partindo do princípio de que o conhecimento deve(ria) ser um bem comum. Por isso, está disponível aqui para você baixar, ler, estudar, reproduzir e remixar. Se preferir impresso, está à venda neste site, entre outros.

Que 2016 traga mais ótimas notícias não apenas para mim, mas para você também. Todos nós estamos precisando…

“De Metrópolis a Matrix”: nova publicação da TICPE

Em meio às preparações do e-book volume 4, que lançamos ontem, não tive tempo de divulgar a publicação de um artigo que é especial para nós: “De Metrópolis à Matrix: arte e filosofia na formação de pesquisadores em educação“, publicado na revista Leitura: Teoria e PráticaO artigo é fruto do trabalho da linha em 2013-2014 (composta pelo Alexandre, Estrella, eu e Márcio, com a Profa. Lúcia dedicando poucas horas ao PPGE em preparação para a sua aposentadoria), quando reformulamos nossa disciplina obrigatória do mestrado.

O artigo é baseado em reflexões sobre a nossa primeira experiência com a disciplina, que, desde então, tem sido aperfeiçoada e adaptada continuamente, já que trabalhamos em esquema de team teaching nessa disciplina (e em outras, ocasionalmente).

Eis o resumo:

Este artigo discute a experiência em uma disciplina de mestrado conduzida segundo uma abordagem baseada na sensibilização estética, por meio de obras do cinema, da literatura e da filosofia, como forma de questionar o maniqueísmo fundamentado nos discursos utópicos e distópicos que se alternam nas mídias e na literatura acadêmica acerca das tecnologias na educação. Examinando extremos que desconsideram ambivalências e valorizando as experiências trazidas pelos alunos, a disciplina os estimulou a refletir sobre a Educação, a sociedade contemporânea e a presença das tecnologias. Participaram da primeira turma 18 alunos que, ao longo do semestre, propuseram um total de 295 questões. O artigo apresenta uma reflexão sobre a experiência e os achados decorrentes de uma análise temática dessas questões. Apesar da forte presença de perguntas binárias, analógicas, comparativas ou que essencializam objetos e instituições, a experiência sugere que a arte e a filosofia podem desafiar convicções assentadas, porém, acríticas.

Somos muito gratos a todos os alunos que participaram e muito nos ensinaram também!

Veja mais sobre a disciplina neste post e recomendações de recursos complementares neste.

Clique aqui para baixar o artigo.

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