4 anos de “Diálogos”!

2603314210_0e387707dd_bNosso blog completa hoje 4 anos no ar!

Abrimos o espaço em 17 de dezembro de 2012 para lançar, em seguida, o primeiro volume de nossa série de coletâneas Educação e tecnologia: parcerias

Em 4 anos, a linha TICPE mudou muito de várias formas. Em termos de componentes, permanecemos eu e o Prof. Márcio Lemgruber, desligaram-se os professores Marco SilvaAlberto Tornaghiaposentou-se a Profa. Lúcia Vilarinho, e o Prof. Alexandre Rosado foi aprovado em concurso público para o INES/DESU, onde agora coordena, com a Profa. Cristiane Taveira, o Grupo de Pesquisas Educação, Mídias e Comunidade Surda, e de onde colabora muito fortemente conosco. Resta ainda muita tristeza pela perda irremediável de nossa colega e amiga Estrella Bohadana, que era a mais antiga integrante do grupo.

Uma alteração (18/12/16): ficou parecendo que tivemos apenas baixas na TICPE! Não mesmo – tivemos, também, duas excelentes “aquisições”: em 2013.2, a Profa. Stella Pedrosa juntou-se a nós, e, em 2015.2, a Profa. Jaciara de Sá Carvalho ingressou na linha. Estamos todos aqui!

Ainda que em meio a tantas mudanças e perdas, conseguimos estabelecer boas parcerias interna e externamente, mantendo sempre um ambiente de trabalho produtivo no qual tentamos equilibrar desafio (a parte acadêmica) e acolhida (a parte humana) entre nós e no trato com nossos alunos. Penso que, aos poucos, o blog foi sendo construído de modo a refletir essa construção coletiva do grupo.

Ao longo desses 4 anos, tivemos mais de 25 mil visitas oriundas de múltiplos países, bem como numerosos downloads do material que aqui disponibilizamos, como as várias traduções que tenho preparado. Em especial, o último volume em nossa série de e-books Educação e tecnologia: parcerias alcançou quase 1000 downloads desde a publicação em meados de novembro de 2015.

Assim, estamos fechando o quadriênio (também no sentido “capesiano” do termo – 2013-2016 forma o período de avaliação pela Capes de todos os programas de pós-graduação do país) com a certeza de que temos contribuído ativamente para a discussão mais ampla acerca da Educação e Tecnologia. Em especial, temos, digamos, “aumentado a temperatura” em termos de propor, com destaque cada vez maior, linhas de questionamento crítico em nossas disciplinas, pesquisas e orientações, para encorajar nossos alunos, que normalmente nos trazem problemas de prática do tipo “como usar tal artefato na minha prática/local de trabalho?”, a pensar como acadêmicos e olhar para além da superfície de discursos exacerbadamente otimistas, hegemônicos nas mídias e em parte da literatura acadêmica.

Fica, agora, uma boa recordação: uma foto do grupo presente em nossa confraternização de final de ano, após nossa última Prática de Pesquisa (disciplina do PPGE/UNESA que objetiva envolver todos os alunos em atividades rotineiras de pesquisa – de mestrandos ingressantes no programa até pós-doutores), realizada em 08/12/2016. Naquele dia, assistimos um episódio da (comentadíssima) série Black Mirror – “Queda livre” (o primeiro da terceira temporada – veja que, no link, há spoilers) – como elemento disparador de uma discussão sobre possíveis rumos trazidos pelo uso de plataformas de redes sociais e rating, contando com a presença do Prof. Alexandre (o fotógrafo, naquele momento).

Fique por aqui – daqui a alguns minutos, publicarei a primeira tradução prometida ontem!

 

img_20161208_152416415_hdr

Professores e (alguns) alunos da TICPE em dezembro de 2016

Crédito da imagem: Birthday star, de Existentist

Educação e tecnologia em perspectiva crítica: traduções de textos de Neil Selwyn chegando!

Com enorme satisfação, compartilharemos, nos próximos dias, traduções para o português de dois textos excelentes do sociólogo da Educação e Tecnologia Neil Selwyn, professor titular na Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália.  Neil é um dos autores mais interessantes na área da Educação e Tecnologia no idioma inglês (seu trabalho já foi mencionado em algumas postagens passadas), de modo que é com grande alegria que disponibilizaremos aqui uma pequena amostra de sua produção (recomendadíssima, aliás) como material para “degustação” e difusão entre leitores e estudiosos lusófonos interessados na área.

Ainda que a escrita de Neil seja incrivelmente lúcida e “fluida”, e ainda que seus livros sejam apresentados como livros-texto destinados a um público não especializado, o autor articula ideias complexas de áreas como a Filosofia e a Sociologia e incorpora muitos neologismos e “regionalismos” (alguma linguagem coloquial), tornando os textos de difícil compreensão para quem não tem uma fluência mínima no idioma. Assim, com o seu aval, preparei traduções para usarmos na disciplina que ministramos no semestre que se encerra (2016.2), Educação e Tecnologia: perspectivas críticas (assunto para outro post!), traduções que circularemos aqui em versão aprimorada e formatada para leitura em e-readers.

Neil defende uma posição inteiramente consistente com as formas de pensar que temos construído coletivamente no grupo TICPE, sintetizadas em termos de uma demanda por maior contextualização e historicidade na discussões sobre a relação entre educação e tecnologia. Em primeiro lugar está a ideia de que é essencial que estejamos atentos à linguagem utilizada nas discussões sobre Educação e Tecnologia, posição também defendida por Neil, por exemplo, neste artigo. Além disso, sentimos um forte incômodo com o uso indiscriminado de categorias macro (como “nativos digitais” – assunto de um post passado), em particular, na ausência de recurso à empiria, como vê-se no gênero “futurologia”, que parece estar sempre a descrever um mundo que “poderia ser” como se fosse o mundo “que é”. Neil aborda tais questionamentos de forma acessível, direta e sempre bem fundamentada em uma ampla gama de literatura acadêmica pertinente e dados empíricos.

Os capítulos são relativamente longos, e a tradução foi trabalhosa (e, como sempre, permanece incompleta no sentido em que detalhes sempre nos escapam, independentemente de quantos “pares de olhos” se debrucem em revisões), então, para nós, faz todo sentido compartilhar os textos com colegas e estudantes para além do nosso PPGE. Esperamos que os textos circulem amplamente e venham a apoiar discussões tão interessantes quanto as que temos conduzido com os nossos alunos.

As traduções serão disponibilizadas também em meu perfil na plataforma academia.edu, site onde Neil mantém um perfil que utiliza para circular parte de sua produção.

Volto amanhã com o primeiro texto, mas, deixo com vocês uma curta entrevista com Neil, realizada em um evento organizado em 2016 pelo Centro de Estudios Fundación Ceibal, no Uruguai. Sua fala (com legendas em castelhano), apresentada em duas partes, aborda temáticas que constituem alguns dos rótulos mais comentados atualmente na Tecnologia Educacional, incluindo Analítica da Aprendizagem (Learning Analytics) e BYOD (Bring Your Own Device – Traga Seu Próprio Artefato), mas seus questionamentos, como sempre, são estruturados em torno de temas e problemas educacionais. 

Parte 1

Parte 2

 

TICPE no III Seminário de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual

Nos dias 19, 20 e 21 de outubro foi realizado o III Seminário de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual (Seplev), evento promovido pelo Núcleo de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual (Neplev – UFPE).

Tendo como  tema “Imaginário, sujeito, representações”, o evento foi realizado em Maceió, na Universidade Federal de Alagoas.

Nesta terceira edição do SEPLEV, estivemos presentes na Sessão 12 – Discurso, ensino, espaço virtual –  coordenada pelo Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes (UFAL), com o trabalho Aprendizagem colaborativa e mídias digitais: desafios e práticas, de autoria de Diva Maria P. Rocha,  Susan Rocha Silva e Stella Maria Peixoto de Azevedo Pedrosa.

Na ocasião, o trabalho foi apresentado pelas mestrandas Diva Maria P. Rocha e Susan Rocha Silva.

img_4386

Diva e Susan, nossas representantes no III Seplev

 

Resumo

O principal objetivo da pesquisa foi analisar como as mídias digitais facilitam a colaboração entre estudantes e ampliam suas competências infocomunicacionais.  Observou-se, durante seis meses, como alunos de três turmas do 7º ano em uma escola pública do município do Rio de Janeiro distribuem tarefas, solucionam conflitos e criam diferentes linguagens e gêneros textuais nos trabalhos em grupo, diante das problemáticas lançadas pelo professor. Também foi aplicado um questionário específico aos alunos. Os resultados indicam que a infraestrutura da referida escola favorece a aprendizagem colaborativa apoiada pelas mídias digitais e que as interações em sala de aula e no espaço virtual auxiliam o desenvolvimento de habilidades e competências dos sujeitos. Entretanto, os discursos de valorização dos artefatos tecnológicos encobrem obstáculos que desafiam as práticas docente e discente. A partir dessas indicações, são apresentadas sugestões visando superar as dificuldades observadas. A fundamentação teórica da pesquisa versa sobre o método da aprendizagem colaborativa e os usos das mídias digitais no contexto escolar. Principais autores considerados: Dillenbourg (1996); Panitz (1996), Castells (1999); Torres, Alcântara e Irala (2004); Lévy (1999; 2010); Coll (2010) e Borges (2012).

Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa; Espaço virtual; Infocomunicação.

 

 

 

Curso online que contou com docente da TICPE recebe prêmio

curso

Com alegria, recebo a notícia de que o curso online Educação e Participação em rede venceu o 8º Prêmio ARede Educa 2016 na categoria Educação a Distância/Sociedade Civil. Fui uma das autoras, a convite do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e que contou com o envolvimento de estudantes e professores da Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP em uma das etapas de criação.

:: O Prêmio – Em sua nona edição, contemplando diversas categorias, foram premiadas  52 iniciativas públicas e privadas de todo o país, da educação básica à superior. Os trabalhos fornecem um panorama do que vem sendo feito quanto à “boas práticas”, contribuindo para compartilhar esses projetos e inspirar a criação de novos. As iniciativas podem ser conhecidas por meio de reportagens que compõem o Anuário ARede 2016-2017 (abaixo). As páginas 124 e 125 apresentam uma reportagem sobre o curso, com trechos de uma entrevista realizada comigo.

:: O curso – É online, gratuito e aberto a qualquer pessoa interessada pela temática que leva seu nome: Educação e participação em rede.  Por ter um caráter mais autoinstrucional (ainda que conte com um fórum de discussão), o desafio foi justamente proporcionar aprofundamento da ideia de rede, de participação em rede (virtual e no território) e sua relação com educação integral sem que a interação e a colaboração fossem a estrutura da proposta pedagógica.

Uma das estratégias adotadas para a percepção de nós e conexões – elementos que estruturam as redes – foi a construção de um curso baseado em vídeos, materiais e atividades sem percurso pré-definido, no qual cada participante tem a liberdade de iniciar sua formação a partir de qualquer . Assim, a navegação não obedece uma sequência didática preestabelecida entre seus conteúdos, ainda que estes estejam organizados em três eixos temáticos: Conexão em rede, Participação em rede Educação em rede. São essas temáticas, aliás, que pautaram as gravações dos vídeos com especialistas. As atividades foram elaboradas de modo a provocar nos participantes reflexões sobre sua participação e de outros sujeitos em redes, sobre concepções de educação e o que implica tratar de educação integral.

Mais informações a respeito dele e de quando serão ofertadas novas turmas podem ser conferidas no site do projeto Educação&Participação, responsável pela inciativa. Abaixo, vídeo que apresenta o curso:

Tecnologia educacional: por uma perspectiva histórica e contextualizada

“A Tecnologia Educacional (TE) pode ser entendida como um campo de pesquisa, desenvolvimento e aplicação que se constitui por pautas diversas e é marcado por múltiplas contradições, conflitos e tensões, de forma consistente com a perspectiva do sociólogo da TE Neil Selwyn”.

Como ilustração das possibilidades abertas por essa forma de pensar a TE, a Profa. Giselle Ferreira tomou o exemplo de dois verbetes – Educação/Aprendizagem Aberta/Aprendizagem Aberta a Distância e Inclusão Tecnológica para provocar reflexões durante  o Simpósio Internacional de Educação a Distância realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os verbetes foram elaborados em colaboração com a Profa. Jaciara de Sá Carvalho e serão publicados em 2017 no Dicionário Crítico de Tecnologia Educacional, organizado pelo Prof. Daniel Mill (UFSCar).

“Em ambos os verbetes, figuram proeminentemente, como eixos organizadores do argumento proposto, as antinomias ‘inovação vs. tradição e ‘inclusão vs. exclusão’, que refletem uma polarização identificada na literatura da área entre visões ‘prometeicas’ e ‘fáusticas’ acerca da relação entre a técnica e o humano. Nessa perspectiva, a discussão na área precisaria adotar abordagens que considerem questões histórico-filosóficas e resgatem a importância das especificidades contextuais na pesquisa empírica, de modo a possibilitar a discussão de implicações da historicidade dos significados atribuídos a rótulos em diferentes lugares e tempos”- sugere a Prof. Giselle.

Sua palestra integrou a Mesa Temática Pesquisa em Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: cenários, métodos e importância da qual também participaram os professores doutores Vani Kenski (ABED/SITE/USP) e Fernando Fidalgo (UFMG). Confira a gravação da mesa no vídeo abaixo:

 

 

Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

No dia 29 de setembro, a Profa. Dra. Ana Valéria De Figueiredo da Costa (UERJ, UNESA, UNIG) apresentou o trabalho: Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

O trabalho apresentado é fruto de  pesquisas  desenvolvida desde 2004, quando a Profa. Ana Valéria ingressou no Doutorado (PUC-Rio). Defendida em 2008, sua tese –  Imagens Fotográficas de Professoras: uma trajetória visual do magistério em escolas municipais do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX –  foi desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Maria Apparecida Mamede-Neves.

Suas pesquisas têm como objetivo central investigar, a partir de registros imagéticos diversos – em especial reproduções fotográficas – as relações sociais, usos e costumes que emergem em uma determinada época. Para tal, a Profa.  Ana Valéria elaborou uma estrutura de análise que tem como ponto central a fotografia como texto visual. Essa estrutura tem por base principal os estudos de Bóris Kossoy, Ana Maria Mauad, Lorenzo Vilches, Ruggiero Eugeni, Roland Barthes.

Na ocasião estiveram presentes professores, alunos e ex-alunos das diferentes linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (PPGE-UNESA).

anaval

Com nossa convidada Profa. Ana Valéria.

 

 

Retrato da EaD no Brasil pelo MEC

Começou hoje o Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (22º CIAED) em Águas de Lindóia (SP) e cá estou para acompanhar e participar da mesa Redes Sociais e Educação com a Profª Vani Kenski (Fe/USP) e José Erigleidson da Silva (PUC-SP), nesta terça (20/9).

Hoje à tarde, fui conferir o Encontro para diálogo entre a comunidade brasileira de EaD e o Ministério da Educação, em que participaram alguns representantes do MEC.

Quero destacar as intervenções oportunas do presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) no que diz respeito à expansão da EaD no País. Luiz Roberto Curi chama atenção para o caráter da expansão, chamando a sociedade para a seguinte questão :”o que se quer da expansão da EaD?”. Segundo Curi, a expansão da EaD até hoje não conseguiu alterar:

  • a quantidade de vagas por região: a oferta é maior em locais que já possuem muitas instituições oferecendo Educação Superior presencial – disparado o Sudeste.
  • a concentração de cursos que tradicionalmente são ofertados pela modalidade (pedagogia, administração, direito, ciências contábeis).

Um dos desafios para a EaD é dialogar com o Plano Nacional de Educação para que sejam dobradas o número de matrículas de jovens de 18 a 24 anos na Educação Superior. “O processo de expansão não pode ser desvinculado das políticas públicas” e, mesmo, das políticas que as instituições privadas possuem – elas também devem considerar a desproporcionalidade da distribuição da EaD no país, segundo Curi. Diante de uma platéia onde estavam muitos representantes de instituições de ensino, o representante do CNE chamou atenção das instituições (privadas e públicas) para apresentarem propostas que “atendam a necessidade da sociedade brasileira e não de um ator ou grupo”. Os dados são alarmantes: 66% dos municípios brasileiros não tem Educação Superior. “É preciso discutir expansão da EaD diante das necessidades do país”, disse.

Antes de Curi, Joana D’Arc Ribeiro, da Secretaria de Educação Superior do MEC, apresentou slides que ajudam a ter um retrato da Educação Superior a distância no país. Algumas fotos da apresentação não estão muito boas, mas achei que vale compartilhar. Chamo atenção para a listagem da regulamentação da EaD, incluindo uma nova Resolução muito comentada no evento (Nº1/2016).

img_20160919_183103 img_20160919_182918 img_20160919_183149 img_20160919_183222 img_20160919_183253 img_20160919_183312 img_20160919_183333 img_20160919_183546 img_20160919_140811091_hdr img_20160919_140954725_hdr img_20160919_141300087_hdr img_20160919_141355206_hdr img_20160919_141651163_hdr