Eventos

Primeira do ano: anais do TicEduca (Lisboa)

ticeducaComeçamos bem o ano com o recebimento das Atas do IV Congresso Internacional TIC e Educação 2016: Tecnologias Digitais e o Futuro da Escola, onde foram publicados os trabalhos apresentados no ticEduca 2016, realizado em setembro/2016 no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Naquele período, publicamos aqui apenas os resumos dos artigos remetidos por mim e por Giselle e Stella (em parceria com orientandas). Agora, os interessados podem conferir a íntegra de nossos trabalhos e de outros colegas deste evento bianual.

Vale dar uma olhada nos pertinentes eixos que abrangem uma gama interessante de objetos de estudo.

 

TICPE no III Seminário de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual

Nos dias 19, 20 e 21 de outubro foi realizado o III Seminário de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual (Seplev), evento promovido pelo Núcleo de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual (Neplev – UFPE).

Tendo como  tema “Imaginário, sujeito, representações”, o evento foi realizado em Maceió, na Universidade Federal de Alagoas.

Nesta terceira edição do SEPLEV, estivemos presentes na Sessão 12 – Discurso, ensino, espaço virtual –  coordenada pelo Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes (UFAL), com o trabalho Aprendizagem colaborativa e mídias digitais: desafios e práticas, de autoria de Diva Maria P. Rocha,  Susan Rocha Silva e Stella Maria Peixoto de Azevedo Pedrosa.

Na ocasião, o trabalho foi apresentado pelas mestrandas Diva Maria P. Rocha e Susan Rocha Silva.

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Diva e Susan, nossas representantes no III Seplev

 

Resumo

O principal objetivo da pesquisa foi analisar como as mídias digitais facilitam a colaboração entre estudantes e ampliam suas competências infocomunicacionais.  Observou-se, durante seis meses, como alunos de três turmas do 7º ano em uma escola pública do município do Rio de Janeiro distribuem tarefas, solucionam conflitos e criam diferentes linguagens e gêneros textuais nos trabalhos em grupo, diante das problemáticas lançadas pelo professor. Também foi aplicado um questionário específico aos alunos. Os resultados indicam que a infraestrutura da referida escola favorece a aprendizagem colaborativa apoiada pelas mídias digitais e que as interações em sala de aula e no espaço virtual auxiliam o desenvolvimento de habilidades e competências dos sujeitos. Entretanto, os discursos de valorização dos artefatos tecnológicos encobrem obstáculos que desafiam as práticas docente e discente. A partir dessas indicações, são apresentadas sugestões visando superar as dificuldades observadas. A fundamentação teórica da pesquisa versa sobre o método da aprendizagem colaborativa e os usos das mídias digitais no contexto escolar. Principais autores considerados: Dillenbourg (1996); Panitz (1996), Castells (1999); Torres, Alcântara e Irala (2004); Lévy (1999; 2010); Coll (2010) e Borges (2012).

Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa; Espaço virtual; Infocomunicação.

 

 

 

Tecnologia educacional: por uma perspectiva histórica e contextualizada

“A Tecnologia Educacional (TE) pode ser entendida como um campo de pesquisa, desenvolvimento e aplicação que se constitui por pautas diversas e é marcado por múltiplas contradições, conflitos e tensões, de forma consistente com a perspectiva do sociólogo da TE Neil Selwyn”.

Como ilustração das possibilidades abertas por essa forma de pensar a TE, a Profa. Giselle Ferreira tomou o exemplo de dois verbetes – Educação/Aprendizagem Aberta/Aprendizagem Aberta a Distância e Inclusão Tecnológica para provocar reflexões durante  o Simpósio Internacional de Educação a Distância realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os verbetes foram elaborados em colaboração com a Profa. Jaciara de Sá Carvalho e serão publicados em 2017 no Dicionário Crítico de Tecnologia Educacional, organizado pelo Prof. Daniel Mill (UFSCar).

“Em ambos os verbetes, figuram proeminentemente, como eixos organizadores do argumento proposto, as antinomias ‘inovação vs. tradição e ‘inclusão vs. exclusão’, que refletem uma polarização identificada na literatura da área entre visões ‘prometeicas’ e ‘fáusticas’ acerca da relação entre a técnica e o humano. Nessa perspectiva, a discussão na área precisaria adotar abordagens que considerem questões histórico-filosóficas e resgatem a importância das especificidades contextuais na pesquisa empírica, de modo a possibilitar a discussão de implicações da historicidade dos significados atribuídos a rótulos em diferentes lugares e tempos”- sugere a Prof. Giselle.

Sua palestra integrou a Mesa Temática Pesquisa em Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: cenários, métodos e importância da qual também participaram os professores doutores Vani Kenski (ABED/SITE/USP) e Fernando Fidalgo (UFMG). Confira a gravação da mesa no vídeo abaixo:

 

 

Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

No dia 29 de setembro, a Profa. Dra. Ana Valéria De Figueiredo da Costa (UERJ, UNESA, UNIG) apresentou o trabalho: Metodologias de leitura da imagem: percursos de uma pesquisa.

O trabalho apresentado é fruto de  pesquisas  desenvolvida desde 2004, quando a Profa. Ana Valéria ingressou no Doutorado (PUC-Rio). Defendida em 2008, sua tese –  Imagens Fotográficas de Professoras: uma trajetória visual do magistério em escolas municipais do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX –  foi desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Maria Apparecida Mamede-Neves.

Suas pesquisas têm como objetivo central investigar, a partir de registros imagéticos diversos – em especial reproduções fotográficas – as relações sociais, usos e costumes que emergem em uma determinada época. Para tal, a Profa.  Ana Valéria elaborou uma estrutura de análise que tem como ponto central a fotografia como texto visual. Essa estrutura tem por base principal os estudos de Bóris Kossoy, Ana Maria Mauad, Lorenzo Vilches, Ruggiero Eugeni, Roland Barthes.

Na ocasião estiveram presentes professores, alunos e ex-alunos das diferentes linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá (PPGE-UNESA).

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Com nossa convidada Profa. Ana Valéria.

 

 

Retrato da EaD no Brasil pelo MEC

Começou hoje o Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (22º CIAED) em Águas de Lindóia (SP) e cá estou para acompanhar e participar da mesa Redes Sociais e Educação com a Profª Vani Kenski (Fe/USP) e José Erigleidson da Silva (PUC-SP), nesta terça (20/9).

Hoje à tarde, fui conferir o Encontro para diálogo entre a comunidade brasileira de EaD e o Ministério da Educação, em que participaram alguns representantes do MEC.

Quero destacar as intervenções oportunas do presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) no que diz respeito à expansão da EaD no País. Luiz Roberto Curi chama atenção para o caráter da expansão, chamando a sociedade para a seguinte questão :”o que se quer da expansão da EaD?”. Segundo Curi, a expansão da EaD até hoje não conseguiu alterar:

  • a quantidade de vagas por região: a oferta é maior em locais que já possuem muitas instituições oferecendo Educação Superior presencial – disparado o Sudeste.
  • a concentração de cursos que tradicionalmente são ofertados pela modalidade (pedagogia, administração, direito, ciências contábeis).

Um dos desafios para a EaD é dialogar com o Plano Nacional de Educação para que sejam dobradas o número de matrículas de jovens de 18 a 24 anos na Educação Superior. “O processo de expansão não pode ser desvinculado das políticas públicas” e, mesmo, das políticas que as instituições privadas possuem – elas também devem considerar a desproporcionalidade da distribuição da EaD no país, segundo Curi. Diante de uma platéia onde estavam muitos representantes de instituições de ensino, o representante do CNE chamou atenção das instituições (privadas e públicas) para apresentarem propostas que “atendam a necessidade da sociedade brasileira e não de um ator ou grupo”. Os dados são alarmantes: 66% dos municípios brasileiros não tem Educação Superior. “É preciso discutir expansão da EaD diante das necessidades do país”, disse.

Antes de Curi, Joana D’Arc Ribeiro, da Secretaria de Educação Superior do MEC, apresentou slides que ajudam a ter um retrato da Educação Superior a distância no país. Algumas fotos da apresentação não estão muito boas, mas achei que vale compartilhar. Chamo atenção para a listagem da regulamentação da EaD, incluindo uma nova Resolução muito comentada no evento (Nº1/2016).

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Apresentação virtual no European Conference on Education

Alguns congressos internacionais tem disponibilizado os trabalhos dos pesquisadores antes mesmo de sua apresentação. É o caso do European Conference on Education 2016 (ECE2016), organizado pelo International Academic Forum (IAFOR). O congresso será realizado na cidade de Brighton, no sul da Inglaterra a partir de amanhã.

Sob o formato de “pôster virtual”, a doutoranda Simone Markenson, orientada pela Profa. Giselle Ferreira, apresentará no evento  o trabalho Design patterns in educational contexts: an approach to support teaching with technologies? (Patterns pedagógicos em contextos educacionais: uma abordagem de apoio ao ensino com as tecnologias?)

O Congresso será realizado entre os dias 29 de junho e 3 de julho, mas já é possível conferir a apresentação (em inglês) de Simone, decorrente de pesquisa que vem desenvolvendo na linha TICPE/UNESA.

Link de acesso ao resumo e pôster virtual: http://papers.iafor.org/submission32297/.

Design Patterns in Educational Contexts: An Approach to Support Teaching with Technologies? from IAFOR on Vimeo.

 

TICPE no TicEduca 2016 em Lisboa

slidersPT2-1200x440O IV Congresso Internacional de TIC e Educação, TicEduca, será realizado entre 8 e 10 de setembro no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Em 2016, a temática do evento é “A tecnologia digital e a escola do futuro” – veja mais detalhes neste link.

Dentre os keynote speakers, o evento promete a presença de Sugata Mitra, Professor Titular de Tecnologia Educacional na School of Education, Communication and Language Sciences da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, conhecido mundialmente por seu projeto Hole in the wall (para quem se interessar pela controvérsia em torno das afirmações e generalizações que emergiram desse projeto, sugiro uma olhada no blog de Donald Clarkeeste post, para começar)

Os seguintes trabalhos serão apresentados por integrantes do grupo TICPE:

Leitura e produção de fotografias com professores 

Daniela Punaro B. de Faria (mestre egressa),  Profa. Dra. Stella Pedrosa

A inserção da tecnologia digital no ambiente escolar exige pensar uma prática recontextualizada o que demanda que o desenvolvimento de um processo reflexivo anteceda ao uso de formas de utilização de procedimentos e objetos. É necessário conjugar possibilidades, riscos e desafios do uso da tecnologia nas escolas, permeando conteúdos e estratégias de ensino. Tomando-se o pressuposto que a tecnologia faz parte da contemporaneidade e que precisa ser incorporada às práticas escolares, o professor não pode ser um mero executor do  “pré-estabelecido”. Ao contrário, ele precisa ser aquele que a partir de sua própria proposta, em consonância com seus objetivos e práticas, dará sentido ao uso da tecnologia. Partindo deste pressuposto considera-se a incorporação da tecnologia digital um caminho fecundo, desde que a prática seja  permeada pela reflexão e busca de conhecimentos específicos necessários ao uso da mesma. O artigo apresenta o desenvolvimento de uma oficina de fotografia oferecida a professores de um curso de especialização realizado da Região do Grande Rio. A oficina foi desenhada de modo contextualizado visando a reflexão sobre as possibilidades e o alcance do uso da fotografia por docentes.

As Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino Superior: usos por docentes

Rejane Cunha Freitas (doutora egressa), Profa. Dra. Giselle Ferreira

O presente artigo é um recorte de uma pesquisa mais ampla que teve o objetivo geral de investigar concepções e práticas com as tecnologias de informação e comunicação no ensino superior. A pesquisa consistiu em um estudo de caso que tomou como campo uma instituição de ensino superior privada brasileira, partindo de um questionamento acerca dos discursos por mudança no ensino superior que sustentam a defesa das tecnologias de informação e comunicação, mas que são desarticulados do tipo de uso efetivamente feito dessas tecnologias, em sala de aula. O recorte apresentado focaliza os tipos de usos das tecnologias de informação e comunicação em práticas no ensino superior, conforme indicados pelos professores nos dados coletados em 70 questionários distribuídos em início de 2015, os uais foram tratados estatisticamente, permitindo a identificação de um perfil geral dos docentes da instituição. Os achados indicam que, na melhor das hipóteses, tem havido um impacto modesto dessas tecnologias nas estratégias de ensino comumente utilizadas, pois a integração de novos recursos tende a ser feita de modo a possibilitar a continuidade de práticas pedagógicas já estabelecidas. Observa-se a partir dos dados, pouca experimentação em sala de aula com o uso das tecnologias de informação e comunicação, em parte, explicáveis por contingências, tais como falta de tempo e falta de uma formação específica para a docência no ensino superior.

Educação e a infoliteracia: desafios contemporâneos aos bibliotecários de universidades

Regina Oliveira de Almeida (doutora egressa), Profa. Dra. Giselle Ferreira

Este artigo analisa as concepções sobre o perfil educativo do bibliotecário e consiste em um recorte de uma pesquisa de doutorado que objetivou estudar a importância da literacia informacional para a ressignificação do papel do bibliotecário, por meio das postagens nas comunidades on-line de bibliotecários do Brasil. O referencial teórico adotado foi desenvolvido em torno de três eixos: a literacia informacional, a mediação e a competência. Realizou-se uma amostra de grupos de bibliotecários sobre esta temática em diferentes redes sociais (blogs, lista Bib@migos, Facebook, predominantemente) e de um questionário com uma amostra de professores de Biblioteconomia e bibliotecários de universidades brasileiras; estes de universidades da região sudeste do país. Foi conduzida uma análise de conteúdo das postagens feitas nas redes e das respostas dos docentes e bibliotecários da amostra, no período de julho de 2013 a junho de 2014. Há uma concepção hegemônica expressa pelas falas onde o papel educativo do bibliotecário é percebido em contraponto a algumas vozes docentes críticas. Concluiu-se que a literacia informacional ainda não se impôs como força suficiente para a ressignificação da área, mas esboça-se que as atividades que representam podem contribuir para a transformação do perfil biblioteconômico.

Design Patterns em contextos educacionais: concepções para o ensino com as tecnologias

Simone Markenson (doutoranda), Profa. Dra. Giselle Ferreira

A consolidação do potencial transformador das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na educação é fortemente influenciada pela concepção epistemológica do docente em relação ao processo educacional. A reorientação das TIC de coadjuvantes para mediadores no processo de ensino-aprendizagem requer apropriação e motivação por parte do docente. A abordagem dos patterns, originalmente proposta em 1979 por Christopher Alexander na obra The Timeless Way of Building, para construção de projetos arquitetônicos, tem sido defendida como um meio de promover essa apropriação. Este poster baseia-se em investigação em curso que objetiva examinar criticamente como esta abordagem está sendo adotado na educação, com foco em usos relacionados com as TIC. Os resultados preliminares sugerem que há pouco consenso tanto em relação às formas de identificar, catalogar e compartilhar patterns pedagógicos, quanto sobre as metas e objetivos para a sua utilização. Além disso, há pouca ou nenhuma empiria sobre o impacto real de uma abordagem de patterns nas concepções e práticas dos professores com as TIC. Embora patterns pedagógicos sejam defendidos como um meio para facilitar a difusão de “boas práticas”, no âmbito da Tecnologia Educacional são reduzidos a argumentos que levam à diminuição do tempo de pesquisa, teste e implementação de novos recursos educacionais, mesmo que na concepção original não seja limitado à ideia de “como fazer”, em que os patterns encapsulam soluções reutilizáveis para problemas recorrentes e destacam a importância das especificidades contextuais.

Educação a distância e movimentos sociais em rede: articulação para formação cidadã

Profa. Dra. Jaciara de Sá Carvalho

A articulação da formação com movimentos sociais em rede é uma das seis condições sugeridas em pesquisa sobre princípios e práticas para uma educação cidadã a distância (CARVALHO, 2015). A investigação foi desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em educação a distância do Brasil, de Portugal e da Venezuela. O presente artigo retoma a problemática de pesquisa, aborda movimentos sociais em rede pelo seu potencial de formação e transformação e discorre sobre uma das condições resultantes da investigação. A condição articulação com movimentos sociais em rede seria uma oportunidade para a vivência de experiências democráticas, de desenvolvimento da consciência crítica e de intervenção em realidades de forma dialogada com temas/objetos em estudo. Além de contribuir com a formação pela cidadania, a articulação oferece uma alternativa de abertura do currículo que foge ao padrão de aproximação com o mercado e valoriza saberes construídos pelos coletivos sociais nos espaços de formação institucionalizados.