Leituras recomendadas

Enquanto o e-book não chega… entrevista com o Prof. Ralph Bannell

Estamos a todo o vapor nos últimos estágios de preparação de nosso e-book, sobre o qual contamos um pouco neste post do ano passado – a trabalheira tem sido enorme (pesquisadores e professores definitivamente não têm férias…), mas estamos muitíssimo satisfeitos com a forma que o volume final tomou.

Em breve, disponibilizaremos um e-book inteiramente bilíngue (português-inglês) com oito capítulos escritos, especialmente para nós, por especialistas de vários países e outros três veiculando textos a serem publicados em nosso idioma pela primeira vez. Há, ainda, uma deliciosa “cereja no bolo”: o belo prefácio escrito pelo Prof. Ralph Ings Bannell, diretor do Departamento de Educação da PUC-Rio, e um dos autores do livro Educação no século XXI: cognição, tecnologia e aprendizagens (Vozes, 2016).

Em seu prefácio, o Prof. Ralph mobiliza ideias e conceitos de diferentes subáreas da Filosofia para pensarmos questões relativas à presença de artefatos digitais na educação de forma aprofundada e contextualizada. Aguarde!

Enquanto o e-book não chega, vale assistir a entrevista concedida pelo Prof. à TV da Faculdade Artur Sá Earp Neto – Faculdade de Medicina de Petrópolis em fevereiro deste ano. Na entrevista, o professor discute, em um contexto histórico-filosófico, algumas das questões que emergem na interface educação-tecnologia, e traz alguns dos assuntos que explora mais detidamente em sua contribuição ao nosso e-book.

Por fim: fique atento à publicação do e-book, prevista para início de abril deste ano,  na página Nossas produções!

“Educação e tecnologia: perspectivas críticas” (disciplina TICPE)

Ainda que cada um de nós, docentes na linha TICPE, tenha suas próprias tendências (preferências) teóricas e temáticas de maior interesse, compartilhamos um sentimento: uma profunda inquietação com relação a generalizações, universalizações e naturalizações. A partir disso, tentamos promover discussões mais aprofundadas acerca daquilo que nos vem sendo servido como “dado” (“realidade inescapável”?) não apenas nas mídias de massa, mas, infelizmente, também na própria literatura acadêmica da área: com base em uma crença na “neutralidade” da tecnologia, vista amplamente como “solução” (panaceia?) para uma educação dita “falida”, uma defesa dogmática (crença quase religiosa?) no poder dos artefatos digitais de “tornar o mundo um lugar melhor” (o slogan de preferência dos programadores no seriado Silicon Valley).

Em 2016.2, integramos alguns elementos de discussões que temos conduzido entre nós em uma disciplina que ministramos em equipe  (eu, Jaci e Márcio): uma Tópicos Especiais TICPE intitulada Educação e tecnologia: perspectivas críticas. Neste post, compartilho algumas de nossas ideias e o programa que seguimos no semestre que se encerra.

O objetivo geral da disciplina foi apresentar um panorama de questionamentos críticos pertinentes às discussões correntes sobre Educação e Tecnologia. Os objetivos específicos foram os seguintes:

Problematizar temáticas ligadas às TIC na Educação e ao campo da Tecnologia Educacional a partir de 3 eixos de discussão e análise: “ideologias”, “metáforas” e “discursos”;

Encorajar os participantes a rever criticamente suas premissas em relação à temática;

Promover a escrita reflexiva e em diálogo com os projetos de pesquisa dos participantes.

Ementa

Questões para pensar criticamente as TIC na Educação. Significados do termo “crítico”. Ideologias: sentidos de “ideologia”; “Evolução”, “progresso” e (pseudo-)revolução. Metáforas: da Educação, das TIC na Educação e da Tecnologia Educacional. Discursos: concepções de “discurso”; “discurso da inclusão”; “discurso da aprendizagem”; TIC nas políticas públicas educacionais em uma perspectiva discursiva.

A experiência girou em torno de 15 encontros semanais de 3 horas de duração, nos quais foram entremeados elementos de aulas dialógicas e expositivas, exigindo que os alunos conduzissem atividades preparatórias (leitura e escrita) antes de cada encontro. 

Dividimos o programa da disciplina em 4 unidades: (I) Introdução; (II) Ideologias; (III) Metáforas; (IV) Discursos. A introdução delimitou a área de discussão e convidou os alunos a adotarem uma postura, em geral, mais “desconfiada”, menos repleta de certezas e pré-concepções. As unidades subsequentes exploraram a Educação e Tecnologia a partir de conceitos básicos das abordagens teórico-metodológicas com as quais trabalhamos na linha: “ideologia”, “metáforas fundantes” e “discursos”.

Eis o esquema de trabalho do semestre:

AULA/DATA UNIDADE ATIVIDADES EM SALA ATIVIDADES PREPARATÓRIAS (para a semana seguinte) LEITURAS COMPLEMENTARES
Aula 1

25/08/16

I Introdução Apresentações

Apresentação dos professores e dos estudantes (pessoal e de projetos/interesses).

Apresentação da disciplina e da proposta de avaliação.

LEITURA E RESUMO

Rüdiger (2011), cap. 1 “A cibercultura e a polêmica sobre a cultura … na era das massas”
Aula 2

01/09/16

7 questões para pensar as TIC na Educação
Discussão de Selwyn (no prelo)
LEITURA E RESUMO

Rüdiger (2012), cap. 2 “Fáusticos, prometeicos e neomarxistas” e cap. 3 “O Ocidente e a técnica: estágios reflexivos do pensamento tecnológico”
Aula 3

08/09/2016

Exibição e discussão do filme “Mera coincidência
Aula 4 15/09/16 “Definições” básicas de educação e tecnologia
Discussão de Selwyn (2011)
LEITURA E RESUMO

Rüdiger (2011), cap. 5 “Cibercultura e a era da informação: Castells e a sociedade em rede”
Aula 5

22/09/16

Continuação da discussão iniciada na aula anterior (Selwyn, 2011)
Aula 6

29/09/16

II Ideologias Sentidos de “ideologia”

Discussão de Selwyn (2014)

 

LEITURA E RESUMO

  • Nobre (2014)
Aula 7

06/10/16

Sentidos de “crítica”
Discussão a partir de Nobre (2014)
LEITURA E RESUMO

Rüdiger (2011), cap.11 “A sagração da internet: cultura e tecnicismo em André Lemos”
Aula 8

13/10/16

“Evolução”, “progresso” e (pseudo-)revolução
Discussão de Barbrook e Cameron (1995/2000)
LEITURA E RESUMO

  • Calvino (2003) – trechos selecionados
  • Lemgruber (2009)
Aula 9

20/10/16

III Metáforas A metáfora como recurso epistemológico
Discussão de Calvino (2003) e Lemgruber (2009)
LEITURA E RESUMO

  • Sócrates/Platão -trechos
  • Comênio (1995) – trechos
  • Freire (1987) – trechos
Aula 10

27/10/16

Metáforas da Educação
O “mestre parteiro” (Sócrates); a sala de aula como tipografia (Comenius); a “educação bancária” (Freire) – discussão a partir dos trechos selecionados de Platão, Comênio e Freire.
LEITURA E RESUMO
  • Cruz (2007), “Introdução” e “Ciberespaço: la ‘alucinación consensual’ académica”
03/11/16 Aula cancelada
Aula 11

10/11/16

Metáforas da Tecnologia Educacional
Rede; Teia; Puzzle; Lego; Mosaico
(discussão a partir de imagens)
LEITURA E RESUMO

  • Barreto (2009a)
  • Barreto (2009b)
Lins (2011)
Aula 12

17/11/16

IV Discursos Discursos na Educação (1): o “discurso da inclusão”
Discussão de Barreto (2009a; 2009b)
LEITURA E RESUMO

  • Biesta (2013a)
  • Ball (2013)
Biesta (2013b)
Aula 13

24/11/16

Discursos na Educação (2): o “discurso da aprendizagem”
Discussão de Biesta (2013a) e Ball (2013)
LEITURA E RESUMO

  • Zuin (2010)
Aula 14

1/12/16

Discursos na Educação e Políticas Educacionais: “Tecnologias nas políticas”
Discussão de Zuin (2010)
Aula 15

8/12/16

FECHAMENTO DA DISCIPLINA
Discussão (com a participação do Prof. Alexandre Rosado) –  filme Snowden, de Oliver Stone

Veja abaixo os detalhes das leituras, bem como uma lista de leituras recomendadas que ainda estamos definindo – lembrando que as traduções dos capítulos de livros de Neil Selwyn estão compartilhadas aqui (SELWYN, 2011) e aqui (SELWYN, 2014), e o primeiro texto que utilizamos, também de Neil, será publicado em nosso e-book temático.

Para a discussão de metáforas da Educação e Tecnologia, utilizamos duas colagens projetadas em slides. A primeira colagem remete a metáforas discutidas por Lemgruber (2009):

slide-1

A segunda colagem remete a imagens recorrentes na tecnologia educacional, associadas, em particular, a Objetos de Aprendizagem (Wikipedia em inglês, pois tem uma seção que resume as críticas ao conceito) e Recursos Educacionais Abertos (REA):

slide-2

À luz de nossa experiência no semestre, temos várias ideias de modificações. A discussão de filmes, em particular, que temos feito em outras disciplinas, é algo que sempre gera muita controvérsia em nossas reuniões de linha, pois há muito material (de “clássicos” como MetrópolisBlade Runner, cuja integração em disciplina discutimos aqui, a produções recentes como as séries Black Mirror, Westworld e Silicon Valley – essa última, em particular, compõe um excelente contraponto com A Ideologia Californiana de Richard Barbrook). Durante as férias escolares, dedicaremos algum tempo à discussão da experiência de 2016.2, com vistas a aprimorar o programa e incluir a disciplina em nossa matriz curricular.

Bibliografia

BALL, S. Aprendizagem ao longo da vida, subjetividade e a sociedade totalmente pedagogizada. Educação, Porto Alegre, v. 36, n. 2, p. 144–155, 27 jun. 2013. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/12886/9446>. Acesso em: 22 ago 2016.

BARBROOK, R.; CAMERON, A. A Ideologia Californiana. (The Californian Ideology). Trad. disponível em: Cibercultura online. Arquivo de disciplina ministrada por F. Rudiger, UFRGS, 1995/2000. Disponível em: < http://cibercultura.fortunecity.ws/vol2/idcal.html >. Acesso em: 16 ago. 2016.

BARRETO, R. G. O discurso da inclusão. In:_____. Discursos, tecnologias, educação. Práticas de Linguagem. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009a.

_____.  Para começo de conversa: texto, discurso(s), intertextualidade. In:_____. Discursos, tecnologias, educação – Pesquisa em educação. Práticas de Linguagem. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009b.

BIESTA, G. Contra a aprendizagem: recuperando uma linguagem para a educação numa era da aprendizagem. In:_____. Para além da aprendizagem: educação democrática para um futuro humano. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013a. (Coleção Educação: Experiência e Sentido).

CALVINO, I. Cidades Invisíveis. Rio de Janeiro: Ed. Globo, 2003.

COMÊNIO, J. A Didactica Magna. Lisboa, Calouste Gulbenkian, 1995

FREIRE, P. A concepção «bancária» da ducação como instrumento da opressão. Seus pressupostos, sua crítica. In: ______.Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

GIDDENS, A.; SUTTON, P. W. Ideologia. In:_____. Conceitos essenciais da Sociologia. Trad. Claudia Freire. São Paulo: Editora UNESP, 2015.

LEMGRUBER, M. Argumentação, metáforas e labirintos. Educação e Cultura Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 6, n. 13, p. 155-172, 2009.

NOBRE, M. A Teoria Crítica. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

PLATÃO. Teeteto. Versão eletrônica: < http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000068.pdf >. Tradução: Carlos Alberto Nunes. Acesso em 23 nov. 2016

SELWYN, N. Educação e tecnologia: questões críticas. In: FERREIRA, G. M. S.; ROSADO, A.; CARVALHO, J. S. (Org.) Educação e tecnologia: abordagens críticas. Rio de Janeiro: Universidade Estácio de Sá/Linha TICPE. No prelo.

SELWYN, N. Compreendendo a tecnologia educacional como ideologia. In: _____. Distrusting Educational Technology. Edição para Kindle. Londres: Routledge, 2014.  Tradução: Giselle Ferreira. Disponível em: < https://ticpe.files.wordpress.com/2016/12/neil_selwyn_distrusting_cap2_trad_pt_final.pdf >. 

SELWYN, N. O que entendemos por “educação” e “tecnologia?” In: _____. Education and Technology: key issues and debates. Edição para Kindle. Londres: Bloomsbury, 2011. Tradução: Giselle Ferreira. Disponível em: < https://ticpe.files.wordpress.com/2016/12/neil_selwyn_keyquestions_cap1_trad_pt_final1.pdf >

Bibliografia complementar (em expansão)

BIESTA, G. A educação e a questão do ser humano. In:_____. Para além da aprendizagem: educação democrática para um futuro humano. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013b.

BARRETO, R. G.; MAGALHÃES, L. K. C. Tecnologia singular, sentidos plurais. Instrumento, v. 13, n. 2, p. 11-22, 2011. Disponível em: < https://instrumento.ufjf.emnuvens.com.br/revistainstrumento/article/view/1596/1112 >. Acesso em 16 ago. 2016.

CRUZ, E. G. Las metáforas de internet. Barcelona: Editorial UOC, 2007.

CUBAN, L. Oversold and underused. Computers in the classroom. Cambridge; Londres: Harvard University Press, 2001.

LINS, M. J . S. C. Educação bancária: uma questão filosófica de aprendizagem. Educação e Cultura Contemporânea, v. 8, n. 16, 2011. Disponível em: < http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/article/viewArticle/168 >. Acesso em: 16 ago. 2016.

RUDIGER, F. Teorias da Cibercultura. Perspectivas, questões e autores. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2011.

 

 

 

e-book TICPE: atualização

5230721698_def3687cde_bComo sabem nossos alunos, colegas e leitores deste blog, desde 2012 temos mantido a publicação anual de uma coletânea que reúne trabalhos representativos da produção científica na área da Educação e Tecnologia no Brasil (e, nos dois últimos volumes, em Portugal). Os volumes anteriores podem ser baixados por meio da página Nossas Produções.

Ao longo do tempo, fomos aprimorando o nosso processo de produção desse volume, que tem contado com o apoio de um conselho científico internacional e, desde 2014, um processo de seleção de contribuições a partir da revisão cega de submissões solicitadas por edital público. Consideramos o volume 4, de 2015, uma publicação madura que veicula material de excelente qualidade.

Em 2016, optamos por tomar um caminho diferente (e mais arriscado…): a organização de um volume especial temático com contribuições convidadas de autores-chave na área. De forma consistente com os interesses e discussões atuais da linha TICPE, idealizamos um volume focalizado em “abordagens críticas”. A partir disso e de uma lista de potenciais colaboradores, em março, disparamos convites a diversos autores no país e no exterior. Suspense…

Para nossa alegria (e surpresa, em alguns casos), recebemos uma esmagadora maioria de respostas positivas. Em particular, nosso primeiro “sim” veio de Neil Selwyn, autor dos dois excelentes textos cujas traduções compartilhamos aqui e aqui – foram o primeiro “sim” e o primeiro resumo que recebemos, e, de fato, o primeiro texto completo, que nos chegou ainda em julho. Grande honra e alegria!

Dentre as várias contribuições a serem publicadas, incluem-se textos de Richard Hall, professor titular na Universidade de Montfort, Inglaterra, Martin Weller, professor titular na Open University do Reino Unido, e Richard Barbrook, que muitos por aqui conhecem como autor do excelente Futuros Imaginários. Teremos, também, um texto de Raquel Goulart Barreto, coordenadora do Grupo de Pesquisa Educação e Comunicação na UERJ e autora cujos trabalhos incluímos frequentemente em nossas listas de leituras recomendadas. Evitando esvaziar o lançamento do volume, digamos que, no todo, a coletânea cobrirá vários tópicos, temas e “rótulos” da tecnologia educacional em perspectivas críticas à predominante “euforia” em torno da tecnologia na educação.

O objetivo desse post é, de fato, informar a todos de nossa decisão de publicar esse volume em 2017, em vez de dezembro, como fizemos no caso dos volumes já publicados.

O fato é que vários de nós envolvidos no projeto tivemos um ano muito difícil (a hashtag #acaba2016 me ocorre…), incluindo dois autores que nos enviaram belíssimas propostas iniciais, mas, com muito pesar e muitas desculpas, retiraram-se do projeto por não terem condições de terminar seus respectivos textos a tempo. Diante de um plano que, por fim, revelou-se bastante ambicioso, optamos por não entrar em uma corrida desabalada em tempos de fechamento de semestre (de fato, de ano acadêmico). Diante disso, nossa meta de publicação é março de 2017 – o plano é aproveitar as férias escolares para compensar os atrasos decorrentes dos múltiplos percalços que todos experimentamos ao longo do ano.

Não foi uma decisão fácil, mas concordamos que o tempo extra vai nos permitir finalizar um volume mais próximo daquilo que planejamos inicialmente.

E como digo sempre: avante!

Crédito da imagem: Homework, de Phil Roeder

Educação e tecnologia em perspectiva crítica: traduções de textos de Neil Selwyn chegando!

Com enorme satisfação, compartilharemos, nos próximos dias, traduções para o português de dois textos excelentes do sociólogo da Educação e Tecnologia Neil Selwyn, professor titular na Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália.  Neil é um dos autores mais interessantes na área da Educação e Tecnologia no idioma inglês (seu trabalho já foi mencionado em algumas postagens passadas), de modo que é com grande alegria que disponibilizaremos aqui uma pequena amostra de sua produção (recomendadíssima, aliás) como material para “degustação” e difusão entre leitores e estudiosos lusófonos interessados na área.

Ainda que a escrita de Neil seja incrivelmente lúcida e “fluida”, e ainda que seus livros sejam apresentados como livros-texto destinados a um público não especializado, o autor articula ideias complexas de áreas como a Filosofia e a Sociologia e incorpora muitos neologismos e “regionalismos” (alguma linguagem coloquial), tornando os textos de difícil compreensão para quem não tem uma fluência mínima no idioma. Assim, com o seu aval, preparei traduções para usarmos na disciplina que ministramos no semestre que se encerra (2016.2), Educação e Tecnologia: perspectivas críticas (assunto para outro post!), traduções que circularemos aqui em versão aprimorada e formatada para leitura em e-readers.

Neil defende uma posição inteiramente consistente com as formas de pensar que temos construído coletivamente no grupo TICPE, sintetizadas em termos de uma demanda por maior contextualização e historicidade na discussões sobre a relação entre educação e tecnologia. Em primeiro lugar está a ideia de que é essencial que estejamos atentos à linguagem utilizada nas discussões sobre Educação e Tecnologia, posição também defendida por Neil, por exemplo, neste artigo. Além disso, sentimos um forte incômodo com o uso indiscriminado de categorias macro (como “nativos digitais” – assunto de um post passado), em particular, na ausência de recurso à empiria, como vê-se no gênero “futurologia”, que parece estar sempre a descrever um mundo que “poderia ser” como se fosse o mundo “que é”. Neil aborda tais questionamentos de forma acessível, direta e sempre bem fundamentada em uma ampla gama de literatura acadêmica pertinente e dados empíricos.

Os capítulos são relativamente longos, e a tradução foi trabalhosa (e, como sempre, permanece incompleta no sentido em que detalhes sempre nos escapam, independentemente de quantos “pares de olhos” se debrucem em revisões), então, para nós, faz todo sentido compartilhar os textos com colegas e estudantes para além do nosso PPGE. Esperamos que os textos circulem amplamente e venham a apoiar discussões tão interessantes quanto as que temos conduzido com os nossos alunos.

As traduções serão disponibilizadas também em meu perfil na plataforma academia.edu, site onde Neil mantém um perfil que utiliza para circular parte de sua produção.

Volto amanhã com o primeiro texto, mas, deixo com vocês uma curta entrevista com Neil, realizada em um evento organizado em 2016 pelo Centro de Estudios Fundación Ceibal, no Uruguai. Sua fala (com legendas em castelhano), apresentada em duas partes, aborda temáticas que constituem alguns dos rótulos mais comentados atualmente na Tecnologia Educacional, incluindo Analítica da Aprendizagem (Learning Analytics) e BYOD (Bring Your Own Device – Traga Seu Próprio Artefato), mas seus questionamentos, como sempre, são estruturados em torno de temas e problemas educacionais. 

Parte 1

Parte 2

 

Cidadania no século XXI a partir de uma perspectiva freiriana

A Faculdade de Educação da University of British Columbia, em Vancouver (Canadá), promove nos próximos dias 6 e 7 de maio a “Conferência Internacional sobre Paulo Freire” (tradução minha), reunindo pesquisadores de várias partes do mundo que investigam, refletem e desenvolvem práticas sob perspectiva freiriana. Jaciara de Sá Carvalho, professora do PPGE-UNESA e integrante da linha TICPE, participará com trabalho no primeiro dia do evento.
Sua exposição apresentará uma compreensão de cidadania desenvolvida a partir do estudo de livros de Paulo Freire e de autores afinados ao seu pensamento, como Boaventura Souza Santos, Edgar Morin e Moacir Gadotti, que orientou sua tese. A ideia de cidadania que será apresentada é parte de sua pesquisa defendida em 2015 na USP.

No estudo, a profª Jaciara partiu da associação de cidadania a direitos e deveres – também expressa por Freire – para a busca de um sentido mais condizente com o conjunto de sua obra, ultrapassando as fronteiras dos Estados-Nação. Chegou à proposição de

cidadania como uma condição permanentemente conquistada pelos sujeitos por meio do desenvolvimento da consciência crítica, que implica práticas baseadas em referenciais éticos e sociais comprometidos em promover mais vida a todos os seres e a Terra, rumo à construção de uma sociedade de caráter planetário.(CARVALHO, 2015, p. 50).

Freire se considerava um “cidadão do mundo”, e seus escritos podem ser associados à ideia de planetarização, perspectiva que se opõe à globalização competitiva e destrutiva. A compreensão de cidadania apresentada fundamenta-se no conceito de conscientizaçãodo autor, que levaria à participação ativa dos sujeitos na construção de outras realidades, não se restringindo à busca da efetivação de direitos e ao cumprimento de deveres. Uma ideia de cidadania atrelada ao processo permanente de conscientização e sob o paradigma da planetaridade faria jus à obra e legado freiriano e faria frente aos desafios atuais da humanidade.

Para saber mais sobre a discussão, confira o primeiro capítulo da tese clicando aqui.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui.

Livro “redes e comunidades” é fonte em concurso da rede municipal do Rio de Janeiro

livro jaci_capaAntes que o ano acabe, gostaria de compartilhar a alegria de saber que o livro Redes e comunidades: ensino-aprendizagem pela Internet foi citado na prova do último concurso da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para contratação de professor de Educação Infantil. A questão 21 de Atualidades, sobre os “elementos de rede que caracterizam o ciberespaço”, reproduziu trecho de capítulo que discute o conceito de rede de forma ampla e focada nas redes de pessoas. Veja a íntegra da prova clicando aqui.

O livro de minha autoria foi publicado pela Editora e Livraria Instituto Paulo Freire sob licença Creative Commons, partindo do princípio de que o conhecimento deve(ria) ser um bem comum. Por isso, está disponível aqui para você baixar, ler, estudar, reproduzir e remixar. Se preferir impresso, está à venda neste site, entre outros.

Que 2016 traga mais ótimas notícias não apenas para mim, mas para você também. Todos nós estamos precisando…

“De Metrópolis a Matrix”: nova publicação da TICPE

Em meio às preparações do e-book volume 4, que lançamos ontem, não tive tempo de divulgar a publicação de um artigo que é especial para nós: “De Metrópolis à Matrix: arte e filosofia na formação de pesquisadores em educação“, publicado na revista Leitura: Teoria e PráticaO artigo é fruto do trabalho da linha em 2013-2014 (composta pelo Alexandre, Estrella, eu e Márcio, com a Profa. Lúcia dedicando poucas horas ao PPGE em preparação para a sua aposentadoria), quando reformulamos nossa disciplina obrigatória do mestrado.

O artigo é baseado em reflexões sobre a nossa primeira experiência com a disciplina, que, desde então, tem sido aperfeiçoada e adaptada continuamente, já que trabalhamos em esquema de team teaching nessa disciplina (e em outras, ocasionalmente).

Eis o resumo:

Este artigo discute a experiência em uma disciplina de mestrado conduzida segundo uma abordagem baseada na sensibilização estética, por meio de obras do cinema, da literatura e da filosofia, como forma de questionar o maniqueísmo fundamentado nos discursos utópicos e distópicos que se alternam nas mídias e na literatura acadêmica acerca das tecnologias na educação. Examinando extremos que desconsideram ambivalências e valorizando as experiências trazidas pelos alunos, a disciplina os estimulou a refletir sobre a Educação, a sociedade contemporânea e a presença das tecnologias. Participaram da primeira turma 18 alunos que, ao longo do semestre, propuseram um total de 295 questões. O artigo apresenta uma reflexão sobre a experiência e os achados decorrentes de uma análise temática dessas questões. Apesar da forte presença de perguntas binárias, analógicas, comparativas ou que essencializam objetos e instituições, a experiência sugere que a arte e a filosofia podem desafiar convicções assentadas, porém, acríticas.

Somos muito gratos a todos os alunos que participaram e muito nos ensinaram também!

Veja mais sobre a disciplina neste post e recomendações de recursos complementares neste.

Clique aqui para baixar o artigo.

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